Capaco rejeita factoragem e propõe bônus
A Câmara Paraguaia da Construção (Capaco) mantém sua posição crítica com relação ao mecanismo de factoragem promovido pelo Executivo para atender à dívida acumulada com o setor construtor. Segundo porta-vozes do sindicato, esta ferramenta não representa uma solução viável para as empresas construtoras nem para o sistema financeiro nacional.
Raúl López, membro da diretoria de Capaco, explicou que as condições financeiras atuais do factoragem convertem a operação em um financiamento comercial que recai novamente sobre as construtoras, sem gerar a liquidez real que requerem. O principal inconveniente reside em que o Estado propõe cancelar as obrigações em um prazo aproximado de três anos, o que incrementa significativamente os custos financeiros para as empresas construtoras.
Magnitude da dívida pendente
Segundo os dados apresentados pelo sindicato, a dívida acumulada do Estado com o setor viário alcança USD 360 milhões. Deste montante, aproximadamente USD 250 milhões correspondem a certificados de obras executadas e pendentes de pagamento, enquanto USD 110 milhões adicionais representam juros gerados pelos atrasos nas quitações.
Problemas do mecanismo de factoragem
O esquema de cessão de créditos obriga as construtoras a abrir mão de uma parte importante do valor de seus certificados para acessar liquidez imediata. Os descontos aplicados pelas entidades financeiras reduzem consideravelmente as receitas que deveriam auferir as empresas por trabalhos já executados. Além disso, existe um fator de risco adicional: se o Estado não cumprir com o cronograma previsto, as empresas ficam expostas frente aos bancos, transferindo a responsabilidade da dívida estatal para o setor privado.
Alternativa proposta: emissão de bônus
Capaco propõe avançar em mecanismos alternativos, destacando a emissão de bônus especiais como ferramenta para reconhecer e cancelar as obrigações pendentes sem transferir custos adicionais às construtoras. Esta proposta deverá ser analisada conjuntamente pelo Congresso Nacional e pelo Poder Executivo para sua viabilidade e implementação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do EstateNews Paraguay.
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