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Cultura

O idioma guarani expande fronteiras

Primeiro encontro internacional celebra a língua e sua força filosófica na Argentina

19/07/2026 05:00 3 min lectura 19 visualizações

O Primeiro Encontro Internacional da Língua Guarani Che Ñe'ê, Che Ruguy (meu idioma, meu sangue) desenvolveu-se em Resistência, Argentina, com expositores paraguaios que revisaram a história, desenvolvimento e significados filosóficos da língua através de palestras de grande conteúdo didático. O encontro incluiu uma sessão especial sobre os ñe'ênga e abordou a presença crescente do jopara nas redes sociais.

O professor Félix Fernández, promotor principal da língua guarani no nordeste argentino e alma mater do encontro, expressou: "Para nós é fundamental a defesa do nosso idioma desde toda sua força filosófica e metodológica". Fernández ensina no Centro Cultural Ñachec de Resistência, Chaco, onde conta com dezenas de alunos em processo de aprendizagem do ava ñe'ê.

Na província do Chaco, aproximadamente 15% da população, que ronda o milhão de pessoas, compreende o idioma guarani. Contudo, Fernández assinala que não se fala de maneira consistente devido a preconceitos históricos sobre sua utilidade.

Gloria Alcaraz, coordenadora do encontro, indicou que o guarani permitiu aos estudantes de Ñachec recriar a cultura paraguaia, suas comidas típicas, seu folclore e gerar espaços de camaradagem entre "os guardiões do ava ñe'ê". Os participantes organizaram inclusive viagens ao Paraguai para aprofundar no aprendizado e na prática do idioma.

Trajetória de uma língua viva

O encontro contou com a participação do ministro Javier Viveros e do diretor geral de Pesquisa Linguística, Arnaldo Casco Villalba, da Secretaria de Políticas Linguísticas (SPL), realizado no Museu das Esculturas Humberto Gómez Lollo de Resistência, reconhecido espaço cultural.

O professor Fernández compartilhou informações sobre uma importante lei que declara o guarani como idioma oficial na província de Corrientes, da qual foi um dos autores.

Gladys Villalba, docente chaquenha especialista em filologia e estudos clássicos, apresentou o contexto histórico dos esforços para a recuperação da língua no Cone Sul. Recordou o Primeiro Congresso Internacional da Língua Guarani e Tupi, realizado em 1950 em Montevidéu, Uruguai, que logrou unificar o alfabeto em 33 letras, conhecido como achegety.

Villalba enfatizou a importância do bilinguismo e a necessidade de promover a interculturalidade como garantia de preservação da língua. Assinala que o guarani se escreve desde 1583 com o "Catecismo breve para rudos e ocupados" de Fray Luis de Bolaños, alcançando sua forma definitiva em 1607.

Conforme seus dados, atualmente existem 288 mil sites na internet dedicados ao idioma guarani, que é língua oficial do Mercosul. Milhares de pesquisadores utilizam diariamente os nomes científicos inscritos no ava ñe'ê. A pesquisadora refletiu sobre se o jopara poderia ser a solução para essa comunidade de idiomas que coexiste na região, considerando que o fenômeno da mistura permanente contribui para a difusão da língua.

Fundo e sobrevivência

Arnaldo Casco Villalba apresentou sua exposição "Mais que um idioma: as particularidades que tornam único o guarani", estimando uma vigência de mais de 5 mil anos da língua no continente e aproximadamente 2.500 anos de fala na região compartilhada com o nordeste argentino, Brasil, Bolívia e Uruguai.

Casco Villalba destacou a caracterização dos guaranis como "a civilização da palavra", assinalando que o conceito de "ayvu" se iguala à alma, refletindo a profundidade filosófica do idioma.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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