A filigrana adquire mais identidade paraguaia
Um projeto que resgata tradição e design
Jimmi Peralta
Um projeto que resgata tradição e design
Há mais de 20 anos nasceu um empreendimento inovador que tomou como base uma artesanaria tradicional paraguaia e lhe deu novo impulso através da marca. Hoje continua evoluindo e encontrando desafios permanentes.
Fiorella Galli, designer de joias e proprietária de Fió, compartilha como sua experiência na Europa lhe permitiu compreender a diferença entre uma marca de joias e uma joalharia tradicional. Observando que a filigrana já quase não se encontrava nem sequer em Luque, cidade histórica dessa artesanaria, decidiu empreender um projeto de resgate e inovação.
"A experiência na Europa me permitiu entender que uma marca de joias não é o mesmo que uma joalharia, e vendo que a filigrana já quase não se encontravam, nem sequer em Luque, me disse 'isto não pode morrer, temos que recuperar', e a melhor forma era inovando, e que as pessoas fossem olhando para ela novamente. Assim nasceu a marca", relata Galli.
Tradição familiar e vocação
Fiorella cresceu imersa no mundo da joalharia. Sua mãe criava joias, sua avó as oferecia, seu pai também participava do negócio, assim como seu outro avô e seu tio. O atelier familiar foi seu primeiro espaço de aprendizagem.
"Eu nasci dentro de uma joalharia. Creio que marcou estar dentro de uma joalharia vendo como minha mãe criava as joias, minha avó oferecia as joias, meu pai também, meu outro avô, meu tio, o atelier. Creio que foi superinconsciente minha introdução no trabalho joyero", comenta.
Sua formação inicial foi em Ciências da Comunicação, e sua primeira experiência laboral a desenvolveu em uma empresa de relógios suíços. Um momento determinante chegou quando participou de uma das exposições de joalharia e relógios de alta gama mais importantes do mundo, em Basileia, Suíça.
"Aí é como se me abrissem os olhos e percebi todo o mundo de joalharia que existia, do que é criar as joias, de todo o processo, de poder criar uma marca. Isso fez que realmente eu percebesse a que me estava chamando o mundo da joalharia", aponta Galli sobre como encontrou sua verdadeira vocação.
A filigrana: história e identidade
A técnica da filigrana tem uma antiguidade de mais de 5.000 anos, originária da antiga Mesopotâmia. Ao longo do tempo foi adquirindo diversas versões e identidades segundo os territórios onde se praticava.
No Paraguai, essa técnica chegou com os colonos e se transmitiu de geração em geração. O particular da filigrana paraguaia é a marca que adquiriu, vinculada à natureza local.
"É uma técnica que a nós chegou pelos colonos, mas, por exemplo, na Colômbia era pré-colombiana. Eles têm filigrana, mas diferente da nossa. A nós chegou com os colonos, e foi se transmitindo de geração em geração. Nós lhe demos uma marca mais assemelhada ao que é nossa natureza. Por isso existem figuras que não existem em outros lugares, como a flor de jasmim, a flor de goiaba, o mburucuyá, são flores e figuras que se criaram realmente aqui no Paraguai. Essa é como a identidade da filigrana paraguaia", explica Fiorella.
Para ela, esse projeto também representa o resgate de um legado familiar profundo. Seu bisavô foi um mestre filigraneiro em Luque, cidade representativa dos artesãos destacados nessa técnica.
"Ele tinha um atelier onde era um mestre em fazer filigrana e ensinava. Então, para mim também foi importante poder resgatar isso que meu bisavô fazia e poder continuar com seu legado", expressa Galli.
Inovação e continuidade
A experiência europeia de Fiorella lhe mostrou a oportunidade de abrir seu próprio caminho, vinculado ao negócio familiar mas com identidade própria. Sua marca Fió representa a convergência entre a tradição e a inovação, mantendo viva uma técnica que quase desaparecia.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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