Pa'i Leonardo: Seu encontro com o padre Pío e sua missão na América Latina
Um chamado desde a infância
O pároco Leonardo conta que sentiu o chamado sacerdotal desde muito cedo. Em sua paróquia havia um padre reconhecido por fomentar vocações religiosas, o que influenciou profundamente sua formação espiritual. Descreve uma infância cheia de união familiar e proximidade com Deus, elementos que marcaram seu caminho rumo ao sacerdócio.
O encontro com o padre Pío em Pietrelcina
Após completar sua formação sacerdotal aos 28 anos, Leonardo viajou a Pietrelcina, no sul da Itália, acompanhado por seu superior e outros padres. O encontro ocorreu em 17 de julho de 1962, depois de chegar no dia anterior à localidade italiana.
Descreve o momento como uma experiência memorável. Conta que presenciou a missa do padre Pío, que seguia o rito antigo anterior ao Concílio Vaticano II, cerimônia que se estendia por mais de duas horas. No pátio do local, rodeado de muitas pessoas, o padre Pío lhe perguntou o que desejava.
"Poderia ser meu guia espiritual e orar por mim", disse-lhe, relata Leonardo. O padre Pío consentiu e lhe fez uma predição significativa: "Levar-te-ão a um lugar muito distante, filho meu". Quando Leonardo sugeriu que talvez fosse Sicília, o religioso respondeu: "Não!, muito mais longe".
Por causa desta revelação, Leonardo decidiu não comunicar os detalhes a sua mãe, considerando que a notícia poderia afetá-la emocionalmente.
Chegada ao Paraguai e trabalho em La Piedad
Um ano após seu encontro com o padre Pío, Leonardo chegou a Assunção do Paraguai, cumprindo assim a predição do religioso italiano. Vinha de Milão, uma arquidiocese que contava com mais de duas mil paróquias, enquanto o Paraguai tinha então significativamente menos.
Sua primeira designação foi La Piedad, instituição fundada por Andrés Barbero, médico e ex-ministro da Fazenda durante a administração do presidente Félix Paiva. Leonardo descreve esta oportunidade como uma honra, considerando-a uma forma em que Deus lhe permitia servir e trabalhar em reparação espiritual.
Missão pastoral na Patagônia chilena
Em 1972, Leonardo foi enviado ao Chile para realizar uma missão pastoral na Patagônia. Primeiro atuou em San Felipe, na região de Aconcágua, e posteriormente em Coyhaique, na zona patagônica do país.
Seu trabalho se concentrou especialmente em comunidades de pescadores do Arquipélago dos Chonos, uma zona formada por milhares de ilhas habitadas por famílias em condições econômicas muito humildes. Descreve estas comunidades como extremamente pobres e com acesso limitado a serviços básicos.
Sua congregação estabeleceu uma instituição chamada Techo Fraterno, destinada a proporcionar alojamento, educação e apoio aos filhos destas famílias pescadoras. O objetivo era oferecer-lhes oportunidades para construir um futuro mais estável.
Desafios em Puerto Cisnes
Leonardo também trabalhou em Puerto Cisnes, uma vila isolada localizada na costa do oceano Pacífico. Naquela época, o único contato regular com o resto do país era através de um barco que chegava aproximadamente a cada quinze dias.
Relata uma experiência particular durante o inverno, quando foi necessário trasladar as crianças à obra por barco durante a noite em condições climáticas extremas. Descreve a casa de madeira como confortável, embora lhe faltassem janelas em temperaturas de -20°C.
No dia seguinte enfrentaram outra dificuldade: a falta de água devido ao frio extremo. Leonardo conta que propôs recolher neve, aquecê-la ao fogo e fervê-la para se abastecerem de água. Descreve estas experiências como momentos inesquecíveis que marcaram seus quatro anos de missão na região.
O legado de Andrés Barbero
Leonardo reflete sobre a visão de Andrés Barbero, que costumava expressar: "Quando eu morrer, o tempo não me servirá de nada. Em vez disso, o trabalho realizado permanecerá como legado duradouro para aqueles que continuarem a missão.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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