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Internacional

O pai que espera em hospital de La Guaira pelo filho de 10 anos desaparecido: "Tenho certeza de que deve estar me procurando"

Resgate nos escombros da Venezuela deixa milhares de desaparecidos e histórias de desespero

28/06/2026 19:45 4 min lectura 8 visualizações
El padre que espera en un hospital de La Guaira a que aparezca su hijo de 10 años desaparecido: "Estoy seguro de que debe estar buscándome"

Nas afueras do Hospital José María Vargas em La Guaira, o ambiente é de desespero.

Dezenas de pessoas aguardam diante de suas portas perguntando por familiares desaparecidos após o duplo terremoto da quarta-feira que sacudiu a Venezuela. Para aliviar a busca, as autoridades sanitárias colocaram uma lista com os nomes dos pacientes hospitalizados.

Uma e outra vez, rostos angustiados percorrem os nomes em silêncio, com uma mistura de medo e esperança.

A poucos metros da entrada do hospital, Alí Rodríguez, um motofrete de 50 anos, conta que ficou oito horas preso sob os escombros de um supermercado em La Guaira antes de ser resgatado.

"Quando começou a tremer tentei sair com minha esposa, mas nos puxaram para dentro. Fiquei soterrado com ela, peito a peito, com uma chapa de zinco atravessada. Tinha uma criança ao lado... Ela morreu. Uma criança de oito anos", diz com a voz embargada.

"O estranho é que quando Deus não quer que a gente morra, a gente não morre. Pedimos bastante que não nos deixasse sofrer tanto", acrescenta, antes de confessar que tentou tirar a própria vida.

"Nos salvaram os saqueadores, foram eles que nos deram essa luz de vida", completa, criticando a lentidão da resposta oficial.

Seu filho de 10 anos tinha ficado em casa enquanto pai e mãe iam fazer compras. Diz que não sabe nada dele e se recusa a abandonar o hospital, agarrado à esperança de que o menino apareça no centro hospitalar.

Sua esposa foi transferida para um hospital em Caracas e ele diz que ficará ali até que seu filho apareça.

"Acho que está vivo, mas tenho medo de que pense que estamos mortos [...] Tenho certeza de que deve estar me procurando".

A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, assegurou neste domingo que 33 pessoas foram encontradas com vida no sábado.

Por sua parte, o deputado Jorge Rodríguez informou que o número de mortos na Venezuela subiu a 1.450 e o número de feridos a 3.150 pessoas.

Acrescentou que o país se encontra agora em "horas críticas" para salvar vidas.

Merlin Estrada é outra guairense que procura nas listas de hospitalizados com desespero. Contendo as lágrimas, diz que acredita que sua melhor amiga possa ter morrido. Acabaram de lhe dizer que a filha adolescente de sua amiga está viva.

"A menina supostamente a retiraram, minha amiga não... Se minha amiga não está aqui, bem, tenho que ajudar sua filha. Já hoje me disseram que não está aqui e que supostamente a transferiram para o Hospital Militar [de Caracas]. A menina está inconsciente e muito fraturada", conta à BBC Mundo antes de desabar em lágrimas.

Explica que agora se dirige ao Hospital Militar em Caracas, com a esperança de encontrar a adolescente.

"Vou ver o que conseguimos fazer e prestar toda a ajuda possível. O pai da menina faleceu no ano passado de um infarto", prossegue.

"Esperemos que de verdade venham pessoas de outros países: que venham o mais rápido possível, porque há muitas pessoas com vida e o importante é tirá-las e ajudá-las".

Merlin é funcionária da polícia migratória no Aeroporto Internacional de Maiquetía em Caracas, que ficou completamente inoperante após os tremores de 7,2 e 7,5 que sacudiram a Venezuela na quarta-feira e que deixaram, segundo as autoridades, pelo menos 1.400 mortos e milhares de desabrigados.

A ONU estima que há cerca de 50 mil desaparecidos e avisa que uma parte significativa poderia permanecer sob os escombros.

"Foi impactante. Perdemos o controle em um momento, não sabíamos para onde correr. As coisas caíam..."

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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