Cúpula do Mercosul busca finalizar detalhes internos do pacto com a UE e voltar olhar para a Ásia
Paraguai passa presidência para Uruguai enquanto bloco negocia distribuição de cotas de exportação e abre diálogos com Japão, Índia e Vietnã
Na prática, a genericamente conhecida como Cúpula do Mercosul, em que Paraguai passará a presidência do órgão para Uruguai, começou no sábado em Luque, com encontros técnicos e portas fechadas sobre temas como migração e comércio entre os cinco membros plenos: Paraguai, Argentina, Brasil, Bolívia — que atravessa um processo de adequação de seu marco legal — e Uruguai.
Mas principalmente sobre a distribuição das cotas de exportação livres de tarifas para a União Europeia, aspecto que centralizará os debates.
Paraguai pretende obter 25% das cotas de exportação em todos os setores possíveis. Inclusive naqueles em que o país não se destaca por seu poder de produção, como o da carne de frango.
Este ponto, segundo afirmou à Agência EFE o vice-ministro de Comércio e Serviços do Paraguai, Alberto Sborovsky, "é uma questão de prioridade" porque evitaria que entre os sócios do Mercosul impere "a lei da selva", onde "quem chega primeiro é o primeiro servido".
Em janeiro passado, a UE e o Mercosul assinaram um pacto de livre comércio que abriu um mercado de mais de setecentos milhões de consumidores.
Sob o guarda-chuva deste acordo, cujo pilar comercial entrou provisionalmente em vigor no passado 1º de maio, Argentina enviou ao Velho Continente um primeiro carregamento de mel natural, apenas uma semana após o país ratificar o pacto.
Então, os exportadores argentinos se apressaram em solicitar permissões e esgotaram em poucas semanas as cotas preferenciais atribuídas ao Mercosul para mel, assim como para ovos e arroz, concretizando os temores do Paraguai.
A respeito disso, a vice-chanceler uruguaia, Valeria Csukasi, afirmou à EFE que a distribuição das cotas deixou de ser técnica para se tornar uma decisão política, já que os quatro países mantêm posições distintas buscando maximizar seus ganhos e evitar um "fracasso absoluto".
Também está previsto que o Mercosul informe ao encerramento da cúpula o início de negociações com o Japão, um mercado de mais de 120 milhões de consumidores.
Dias atrás, o próprio bloco sul-americano anunciou as futuras discussões a respeito após um encontro entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, à margem da Cúpula do G7 realizada na França.
De igual forma, Csukasi indicou à EFE que a presidência uruguaia projeta iniciar o aprofundamento do acordo existente com a Índia e lançar negociações formais com o Vietnã.
À cúpula comparecerão aproximadamente 800 pessoas de 12 delegações, representantes de organismos multilaterais e parlamentares de vários países, disse em conferência de imprensa o ministro de Relações Exteriores, Rubén Ramírez.
Da mesma forma, espera-se que à Cúpula de Presidentes compareçam os mandatários dos 5 estados-parte do Mercosul: Santiago Peña, Javier Milei da Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, Rodrigo Paz da Bolívia e Yamadú Orsi do Uruguai.
A eles se unirão os presidentes José Antonio Kast do Chile e Daniel Noboa do Equador.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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