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Decretos energéticos foram emitidos "intempestivamente", assegura especialista

Engenheiro critica falta de previsibilidade sobre tarifa de Itaipu na definição de política industrial

17/06/2026 13:45 4 min lectura 5 visualizações
Decretos energéticos se emitieron a “destiempo”, asegura experto

A política industrial do Paraguai atravessa um momento de definição crítica, mas deveria estar subordinada quase exclusivamente à renegociação da tarifa de Itaipu, assegura o engenheiro especialista em energias Victorio Oxilia, que analisou o panorama energético do país no marco de sua participação no Streaming de ÚH, Letras Chicas. O especialista mencionou que a falta de previsibilidade sobre o custo futuro da energia invalidou acordos que, por todos os indicadores, foram oficializados intempestivamente.

O debate ganha relevância após o Governo revogar quatro decretos (nº 5306, 5307, 5860 e 5861) que estabeleciam tarifas elétricas preferenciais e condições especiais para as denominadas "indústrias convergentes" (criptomineração, inteligência artificial e produção de hidrogênio verde). Para o especialista, estes foram emitidos intempestivamente. "Esses decretos saíram intempestivamente, já que não podemos definir tarifas sem ter um panorama claro sobre Itaipu", enfatizou.

Oxilia afirmou que o problema de fundo é a desconexão entre a urgência de fechar contratos de longo prazo e a ausência de uma tarifa binacional consolidada. "Como calcular tarifas no futuro, pensando em 10 ou 15 anos, se não temos o custo da energia que pode nos garantir nos próximos 10 ou 15 anos?", questionou Oxilia ao avaliar a pertinência de ter publicado os decretos energéticos sem um Anexo C definido.

"Os valores de USD 37 MWh ao serem energia garantida se tornam USD 44 MWh. Se a tarifa de Itaipu baixar em torno do custo de 10 MWh, essa energia garantida, que é o que interessa às indústrias, fica em torno de USD 28 MWh. Por isso é muito prudente esperar por essa definição do Anexo C para definir a política energética", expressou.

INVESTIMENTOS SEM CERTEZAS. O cenário é cada vez mais complexo para a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), entidade que, segundo o engenheiro, enfrenta uma situação financeira ajustada. Oxilia adverte sobre a pressão exercida ao buscar acordos que garantam a empresas privadas condições imutáveis por mais de uma década sem contar com o respaldo de um custo energético estável.

O especialista insistiu em que esse tipo de acordo deveria ser assinado uma vez que se saiba qual será a tarifa de Itaipu. A esse respeito, enfatiza que esses decretos saíram intempestivamente, pois o tema tarifário no Paraguai implica um compromisso de pagamento que supera em complexidade financeira e estabilidade o que ocorre na binacional. Segundo Oxilia, se realmente se chega a uma negociação em que a tarifa é baixa, então aí podemos conversar sobre uma política industrial.

HORIZONTE. Não obstante, o horizonte energético apresenta desafios técnicos significativos. Embora a energia de Itaipu continue sendo fundamental por seu custo competitivo, as alternativas de geração futura — solar, eólica ou pequenas centrais hidrelétricas — apresentam custos superiores. O engenheiro explica que ao incorporar sistemas de armazenamento como baterias para garantir energia firme, o custo da energia solar sobe muito, o que adiciona uma camada extra de dificuldade para atrair novas indústrias sob parâmetros econômicos estáveis. Afirmou que os valores poderiam passar de USD 44 MWh para USD 60 dólares.

Após a revogação dos questionados decretos e diante da pressão empresarial sobre a ANDE para lograr um acordo conveniente com Atome PLC, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) espera que a empresa estatal apresente alternativas técnicas que permitam elaborar uma nova estratégia para a atração de investimentos relacionados ao consumo eletrointensivo. As propostas devem ser acordes com as necessidades financeiras da empresa estatal. Igualmente, a ANDE junto com o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) levam adiante negociações com a firma de capital britânico para estabelecer uma tarifa conveniente para os investidores e para suas finanças.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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