Solenidade do Corpus Christi
O Evangelho da Solenidade do Corpus Christi recolhe um fragmento do discurso do pão da vida pronunciado por Jesus na sinagoga de Cafarnaum, depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Conta São João que as palavras de Jesus acerca do futuro mistério de seu Corpo e de seu Sangue provocaram surpresa e rejeição.
Jesus refere-se em seu discurso ao famoso maná que Deus fez chover no deserto para os israelitas e que tanto os admirou. Conta o Livro do Êxodo que "ao vê-lo, os filhos de Israel disseram entre si: –Man-hu? (que significa: "Que é isto?") Pois não sabiam o que era. Moisés lhes disse: –Este é o pão que o Senhor vos dá como alimento" (Ex 16,15).
É lógico que nós cristãos manifestemos também nosso espanto diante de um dom muito mais sublime e misterioso como é a Eucaristia, que nos dá a vida eterna.
Jesus explica que o maná do deserto prefigurava o verdadeiro pão do céu que Deus ia dar aos homens por meio de seu Filho. Também o milagre da multiplicação dos pães queria prefigurar a eucaristia de algum modo, e por isso foi prelúdio do discurso de Jesus. Mas quem comeu o maná no deserto morreu; da mesma forma que aqueles que buscavam a Jesus só por terem saciado seus corpos. O Senhor convida a desejar o verdadeiro pão do céu que sacia as almas.
Quando Jesus convidou a comer e beber seu próprio corpo e seu sangue, ocorreu o abandono dramático de muitos de seus discípulos. Mas a fé na presença real do Corpo e da Sangue de Jesus sob as espécies sacramentais é um dos elementos mais característicos do credo cristão.
Além de estar fundamentada nos textos do Novo Testamento, como este discurso de Jesus ou os relatos da instituição da eucaristia, já desde os inícios da Igreja se evidencia. Por exemplo, por volta do ano 90 d.C. escrevia são Inácio de Antioquia: "Afastam-se da Eucaristia e da oração os docetas, por não confessarem que a Eucaristia é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, a que padeceu por nossos pecados, a que o Pai em sua bondade ressuscitou".
Ao comentar o discurso de Jesus, o papa Francisco convidava a renovar esta fé eucarística multissecular e a deixar-nos transformar por Cristo ao recebê-lo: "O pão é realmente seu Corpo doado por nós, o vinho é realmente seu Sangue derramado por nós.
A Eucaristia é Jesus mesmo que se doa por inteiro a nós. Alimentarmo-nos dele e viver nele mediante a Comunhão eucarística, se o fizermos com fé, transforma nossa vida, a transforma em um dom a Deus e aos irmãos.
Alimentarmo-nos desse "Pão da vida" significa entrar em sintonia com o coração de Cristo, assimilar suas escolhas, seus pensamentos, seus comportamentos. Significa entrar em um dinamismo de amor e converter-se em pessoas de paz, pessoas de perdão, de reconciliação, de compartilhamento solidário. O mesmo que fez Jesus".
"Nosso Deus decidiu permanecer no Sacrário para alimentar-nos, para fortalecer-nos, para divinizar-nos, para dar eficácia a nossa tarefa e a nosso esforço", comentava são Josemaria. E acrescentava: "Se fomos renovados com a recepção do Corpo do Senhor, devemos manifestá-lo com obras. Que nossos pensamentos sejam sinceros: de paz, de entrega, de serviço.
Que nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas; que saibam consolar e ajudar, que saibam, sobretudo, levar a outros a luz de Deus. Que nossas ações sejam coerentes, eficazes, acertadas: que tenham esse bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, porque recordem seu modo de comportar-se e de viver".
(Frases extraídas de https://opusdei.org/es-py/gospel/2026-06-04/)
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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