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Cultura

Caminho para Caazapá, um itinerário revitalizante

24/07/2026 10:45 3 min lectura 12 visualizações

Me declaro fã da grande obra evangelizadora das reduções franciscanas, cujos rastros permanecem em muitos pueblos de nosso país, inclusive em nossa mentalidade e estilo de vida comunitário. Meu amigo, o falecido padre Aldo Trento, me ajudou a apreciar também a obra jesuíta que, para "maior glória de Deus e bem dos homens", tem um estilo imponente, em plena selva da então Paraquária.

Recordo que o grande artista Koki Ruiz, que faleceu no mesmo dia que o sacerdote caritativo apaixonado pelo Paraguai, também foi um grande renovador, respeitoso dessa herança espiritual e cultural de nosso povo.

Os franciscanos conseguiram penetrar os costumes e levar o princípio da encarnação divina, bela mistura de espiritualidade e terrenalidade, a um estágio portentoso que quase não sabemos valorizar porque sua construção é silenciosa e penetrante. Temos sim muito enraizado, mas às vezes como um desconhecido mundo de interioridade cultural que nos custa desvendar. É, em parte, pela brutal censura cultural que vivemos desde o genocídio da Guerra Grande; os "guarangos" fomos humilhados até o fundo em nossa própria terra, mas não morremos. Graças às mulheres paraguaias resguardamos dentro da casa, do pátio, da comunidade, a fé, a língua e a cultura comunitária. O que falta é animar-se a fazer esse caminho, olhar por dentro e sanar aquela dor tão profunda. E uma forma concreta de fazê-lo é pegar viagem pelos circuitos que chamamos "turísticos", mas que podemos converter em verdadeiros itinerários de sanação espiritual.

A cultura é uma obra humana, profundamente espiritual porque coloca em jogo e arrisca nossa pessoa, nossa sensibilidade, nossas expressões artísticas como as que vemos nos antigos retábulos que construíam como catecismo vivo para os que abraçavam a fé. De nada serviria resguardar coisas velhas, as apreciamos porque revitalizam a vida hoje.

Itá, por exemplo, é o primeiro pueblo no qual De San Buenaventura e Luis de Bolaños deixaram marca e puseram o coração nem falemos de Caazapá que é uma verdadeira joia, toda ela cheia de detalhes por redescobrir.

A artesanato, os templos, as casas coloniais, suas memórias, ainda hoje constituem um bem para os habitantes. É igual em Capiatá, Caacupé, Villarrica del Espíritu Santo, Yaguarón...

Apaguemos esses pueblos, seus nomes, sua saudação, seus kambuchi de água hospitaleira... E apagaremos nossa identidade.

Fizeram em outros lugares do mundo, acreditando construir uma Babel cheia de esplendor, mas demonstraram, sobretudo na Europa, ter pés de barro os que reduziram a racionalismo a inteligência e a moralismo a vontade, acreditando ser mais livres por se atirarem a um abismo sem piedade. Hoje sua crise social e cultural é evidente.

A nós nos seduzem e também nos pressionam de fora para abandonar nossa identidade mais profunda, ao tempo em que se admiram por nossa vida comunitária, pelo sentido da amizade, da cordialidade que nos resta como herança. É paradoxal.

Por isso, retomar o itinerário dos pueblos franciscanos e jesuítas, com sentido reflexivo, abertos a todos os fatores, é uma oportunidade para ligar de novo com nossa interioridade.

Justamente este ano têm em Caazapá a relíquia de primeira ordem de San Francisco de Asís, a quem dedicamos o canto de um passarinho, com quem compartimos a panela familiar e o primeiro mate de tereré... Vale a pena esse caminho!

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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