Quatorze anos da Lei de Responsabilidade Fiscal: apenas três exercícios dentro do limite orçamentário
Antecedentes da Lei de Responsabilidade Fiscal
A Lei nº 5098/2013, promulgada em outubro de 2013 durante o governo de Horacio Cartes, foi elaborada para estabelecer limites ao crescimento do gasto estatal e evitar desequilíbrios fiscais. A normativa fixou um teto de déficit de 1,5% do PIB, buscando regular o gasto corrente, especialmente o relacionado com salários na administração pública.
Esta legislação respondia aos problemas fiscais recorrentes que a nação enfrentava. No início do ano 2000, o Paraguai atravessou uma de suas piores crises econômicas, atingindo um déficit de 4,6% do PIB. Entre 2002 e 2003 registrou-se um conflito financeiro conhecido como "default seletivo", que implicou uma cessação de pagamentos parcial.
Durante o governo de Nicanor Duarte Frutos implementaram-se reformas tributárias e gerenciaram-se novos empréstimos para recuperação desta situação.
Recuperação e novo deterioro fiscal
Para 2008, em um contexto de forte crescimento econômico, o Fisco registrou um superávit de 2,5% do PIB. Porém, o problema reapareceu nos anos subsequentes devido ao crescimento sustentado do gasto corrente.
Embora se implementassem programas de aposentadoria voluntária para reduzir a quantidade de funcionários, as instituições públicas continuaram incorporando pessoal e a pressão salarial seguiu aumentando.
Resultados desde a vigência da Lei
Desde que entrou em vigor a Lei de Responsabilidade Fiscal, apenas em três exercícios o país conseguiu fechar suas contas dentro do teto fiscal estabelecido.
2013-2015: Inicios com déficits elevados
Em 2013, quando se promulgou a normativa, o déficit foi de 1,9% do PIB, equivalente a G. 2,4 bilhões, já acima do novo limite. A administração de Cartes assumiu com apenas USD 6 milhões em caixa frente a necessidades diárias estimadas em USD 15 milhões. O Ministério da Fazenda teve de recorrer a empréstimos de curto prazo do Banco Central e utilizar depósitos do Governo.
Em 2014, o déficit aumentou para 2,3%, com um saldo negativo de G. 3,13 bilhões. Em 2015 situou-se em 1,8% do PIB, equivalente a G. 2,6 bilhões.
2016-2018: Cumprimento da regra fiscal
A situação começou a se corrigir nos anos seguintes. Em 2016, quando Santiago Peña era ministro da Fazenda, o déficit situou-se em 1,5% do PIB, com um saldo negativo de G. 2,2 bilhões, logrando o cumprimento da regra fiscal.
Para 2017, voltou-se a cumprir com a normativa, com um déficit de 1,4% do PIB, equivalente a G. 2,3 bilhões. Em 2018 registrou-se novamente um resultado dentro do limite, com um déficit de 1,3% (G. 3,0 bilhões).
2019 em diante: Novas pressões fiscais
A partir de 2019, as contas públicas voltaram a se deteriorar, fechando com 2,8% do PIB ou G. 6,7 bilhões.
Em 2020, o déficit alcançou 6,2%, equivalente a G. 14,8 bilhões, convertendo-se na maior perda dos últimos anos. O Governo justificou o forte incremento pelas medidas adotadas para enfrentar a pandemia de COVID-19, que também causou um salto significativo na dívida pública.
Entre 2021 e 2022, o déficit começou a moderar-se, passando para 3,6% e 2,9%, respectivamente. Porém, voltou a aumentar em 2023, chegando a 4,1%.
Plano de convergência fiscal
Com a chegada de Santiago Peña à presidência e a criação do Ministério da Economia e Finanças (MEF), o Governo iniciou um plano de convergência fiscal com o objetivo de reduzir gradualmente o déficit e retornar ao limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.