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Paraguai

O dilema energético: burocracia ministerial ou soluções de fundo?

Governo acelera reforma institucional com criação de novo Ministério de Energia e Ente Regulador independente

24/08/2026 16:45 4 min lectura 21 visualizações

O cenário energético do Paraguai atravessa um ponto de inflexão crítico e determinante, segundo advertem os especialistas. Como resposta à conjuntura, o Poder Executivo acelera os passos legais para concretizar uma reforma institucional. O objetivo central aponta para a conformação de um novo Ministério de Energia. A isso se soma a proposta oficial para estabelecer um Ente Regulador independente. Ambos os projetos buscam reordenar um sistema estatal que enfrenta o anunciado colapso energético.

A demanda industrial cresce em ritmo acelerado que supera a disponibilidade elétrica atual do país. Existem pastas com projetos de investimentos privados que ultrapassam os 6.000 MW (megawatts). Paralelamente, o consumo interno se sustenta em um crescimento superior a 18%, enquanto que as projeções da ANDE eram de apenas 10% para este período.

Diante dessa colossal demanda e da pressão exercida por diversos setores, o Governo busca transparentar o mercado elétrico nacional. Procura-se fixar tarifas técnicas baseadas integralmente em custos eficientes. Além disso, aponta-se para criar um Ministério de Energia, Minas e Hidrocarbonetos e um Ente Regulador de Energia. Desta forma, pretende-se outorgar segurança jurídica aos futuros investidores estrangeiros. Os rascunhos dos projetos já se encontram publicados no portal da Mesa Elétrica Nacional. Ali se abriu um espaço de participação cidadã para receber comentários. O debate público evidencia posturas fortemente divididas entre os especialistas do setor.

As posturas a favor da mudança estrutural. Os principais defensores da reforma argumentam que o modelo vigente ficou estagnado. O engenheiro Guillermo López Flores lembrou que quando nasceu a estatal ANDE o panorama nacional era totalmente distinto. Na década de 60 a potência instalada apenas superava os 10 megawatts de capacidade. Naquela época, a eletricidade era gerada de forma precária mediante uma usina a lenha. Manter hoje uma empresa estatal monopolista que abrange todo o processo soa absurdo para o especialista. Para o consultor, a pergunta relevante deixou de ser se convém criar o novo Ministério. López Flores indica que o enfoque deve se centrar em como encaminhar um processo administrativo extremamente complexo. Admite que é um caminho muito sensível no aspecto econômico e também no âmbito político.

Por sua vez, o atual titular da ANDE, Miguel Báez Reyes, apoia decididamente este plano de ação. O alto funcionário advertiu publicamente que os períodos de abundância energética já escasseiam. Assegurou enfaticamente que o país se encontra em um ponto de inflexão no sistema elétrico. Para fazer frente à necessidade de geração, o Executivo propõe romper os antigos paradigmas. A meta central é abrir as portas de forma definitiva à geração privada de eletricidade. Permitir-se-á a empresas gerar energia para autossuficiência e comercializar livremente no mercado.

Por outro lado, Enrique Duarte, como presidente da União Industrial Paraguaia e da Feprinco, soma seu respaldo gremial. O líder industrial afirmou que é conveniente criar um organismo regulador totalmente independente. Considera fundamental contar com um Ministério exclusivo para potencializar o setor elétrico nacional. Com a chegada de geradores independentes, exigir-se-á separar obrigatoriamente os papéis de controle. Isso dará a tão esperada previsibilidade aos gigantescos investimentos que aguardam ingressar no país.

O professor especialista em Energias, Victorio Oxilia Dávalos, respondeu a algumas das preocupações geradas em torno às novas propostas. O profissional assegurou que não se busca privatizar a ANDE. Igualmente, valorizou que com a criação de um Ente Regulador será o usuário o principal beneficiado, já que se trata de uma entidade técnica isolada do setor político.

Haverá maior segurança para as empresas, para o setor

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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