Paraguai impulsiona reforma institucional para enfrentar demanda energética crescente
Cenário energético em ponto de inflexão
O setor energético do Paraguai atravessa um momento determinante, segundo alertam especialistas. Em resposta à situação atual, o Poder Executivo acelera trâmites legais para concretizar uma reforma institucional orientada à criação de um novo Ministério de Energia e um Ente Regulador independente. Ambas as iniciativas buscam reordenar o sistema estatal ante a crescente pressão da demanda nacional.
Demanda que supera expectativas
A demanda industrial cresce a um ritmo acelerado que excede a disponibilidade elétrica atual do país. Existem projetos de investimentos privados que superam os 6.000 MW (megavati). O consumo interno registra um crescimento superior a 18%, enquanto as projeções da ANDE para este período eram de 10%.
Propostas de transformação do mercado
Ante essa demanda significativa, o Governo busca transparentar o mercado elétrico nacional mediante tarifas técnicas baseadas em custos eficientes. Os projetos incluem a criação de um Ministério de Energia, Minas e Hidrocarbonetos e um Ente Regulador de Energia. O objetivo é outorgar segurança jurídica a futuras investidas estrangeiras. Os rascunhos dos projetos encontram-se disponíveis no portal da Mesa Elétrica Nacional, onde se abriu um espaço de participação cidadã. O debate público reflete posições diversas entre especialistas do setor.
Argumentos a favor da reforma estrutural
Os defensores da reforma sustentam que o modelo atual chegou aos seus limites. O engenheiro Guillermo López Flores assinala que quando se criou a estatal ANDE na década de 60, o panorama nacional era completamente distinto. Então, a potência instalada mal superava os 10 megavati, gerados precariamente mediante uma usina a lenha. Para López Flores, manter atualmente uma empresa estatal monopólica que aborde todo o processo resulta inadequado. O especialista enfatiza que o enfoque deve centrar-se em como executar um processo administrativo complexo, reconhecendo sua sensibilidade tanto econômica como política.
Miguel Báez Reyes, titular da ANDE, respalda decididamente esta direção. O funcionário alertou que os períodos de abundância energética são cada vez mais escassos e que o país encontra-se em um ponto crítico de seu sistema elétrico. Para atender à necessidade de geração, o Executivo propõe romper paradigmas antigos, permitindo que empresas gerem eletricidade para autoconsumo e comercialização livre no mercado.
Respaldo desde o setor industrial
Enrique Duarte, presidente da União Industrial Paraguaia e da Feprinco, respalda a iniciativa. O líder industrial considera fundamental criar um organismo regulador totalmente independente e um Ministério exclusivo para o setor elétrico. Com a chegada de geradores independentes, será necessário separar os papéis de controle, proporcionando a previsibilidade necessária para os investimentos de grande envergadura que aguardam ingressar no país.
Esclarecimentos sobre a reforma
Victorio Oxilia Dávalos, professor especialista em Energias, abordou algumas das preocupações geradas em torno às novas propostas. O profissional esclareceu que não se busca privatizar a ANDE. Além disso, destacou que com a criação de um Ente Regulador, os usuários serão os principais beneficiados ao contar com uma entidade técnica apartada do setor político. Assegurou que haverá maior segurança para as empresas e para o sistema em geral.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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