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Economia

Desde sua vigência, a normativa fiscal foi cumprida apenas durante três anos

Após quase 14 anos da promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Paraguai continua sem manter o déficit dentro do limite de 1,5% do PIB

24/08/2026 13:45 4 min lectura 270 visualizações

A quase catorze anos da promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Governo continua sem conseguir manter o déficit dentro do limite de 1,5% do produto interno bruto (PIB), estabelecido na normativa.

Trata-se da Lei Nº 5098/2013, que foi promulgada em outubro de 2013, durante o governo de Horacio Cartes, depois de um acordo político com o Congresso.

Buscava frear o crescimento do gasto estatal, estabelecer regras para o manejo das finanças públicas e evitar que o aumento dos gastos correntes, principalmente de salários, gerasse desequilíbrios, diante de vários anos de problemas fiscais.

Nesse sentido, no início do ano 2000, o Paraguai havia atravessado uma de suas piores crises, alcançando um déficit de 4,6% do PIB, e o desfinanciamento originou um novo conflito entre 2002 e 2003, com uma cessação de pagamentos parcial, conhecido como "default seletivo".

Naquela época, o governo de Nicanor Duarte Frutos teve de implementar reformas, entre elas mudanças tributárias, além de gerenciar novos empréstimos.

Para 2008, em um contexto de forte crescimento econômico, o Fisco foi se recuperando e registrou um superávit de 2,5% do PIB, mas o problema voltou a se instalar nos anos seguintes diante do crescimento sustentado do gasto corrente.

Embora tenham sido implementados programas de aposentadoria voluntária para tentar reduzir a quantidade de funcionários, as instituições públicas continuaram incorporando pessoal e a pressão salarial seguiu aumentando.

Com tudo isso, segundo os dados históricos, desde que entrou em vigor a LRF apenas em três exercícios o país conseguiu fechar suas contas dentro do teto fiscal.

Em 2013, quando foi promulgada a normativa, o déficit foi de 1,9% do PIB, equivalente a G. 2,4 bilhões, já acima do novo limite. Segundo registros, isso respondia ao fato de que a administração de Cartes acessou com apenas USD 6 milhões em caixa frente a necessidades diárias estimadas em USD 15 milhões.

Diante disso, o Ministério da Fazenda teve de recorrer a empréstimos de curto prazo do Banco Central e utilizar depósitos do Governo.

Em 2014, o déficit aumentou ainda mais e alcançou 2,3%, com um saldo negativo de G. 3,13 bilhões. Em 2015 se situou em 1,8% do PIB, equivalente a G. 2,6 bilhões, embora com a nova metodologia de cálculo das contas fiscais, o resultado fosse de 1,1%.

A Fazenda havia sinalizado naquele momento que os bônus soberanos representavam 1,3% do PIB e que, excluindo tais recursos, o déficit era menor.

Cumprimento

A situação começou a se corrigir nos anos seguintes e já em 2016, quando o atual presidente Santiago Peña era ministro da Fazenda, o déficit se situou finalmente em 1,5% do PIB, com um saldo negativo de G. 2,2 bilhões.

Para 2017, voltou-se a cumprir a regra fiscal, com um déficit de 1,4% do PIB, equivalente a G. 2,3 bilhões, diante do forte crescimento do investimento público, que aumentou 18,9% nominal e alcançou um nível recorde de 3,2% do PIB, segundo explicava o Ministério da Fazenda.

Em 2018 foi registrado novamente um resultado dentro do limite, com um déficit de 1,3% (G. 3,0 bilhões).

A partir de 2019, as contas públicas voltaram a se deteriorar, fechando com 2,8% do PIB ou G. 6,7 bilhões.

Em 2020, fechou-se com um déficit de 6,2%, equivalente a G. 14,8 bilhões, convertendo-se na maior perda dos últimos anos. O Governo justificou o forte incremento pelas medidas adotadas para enfrentar a pandemia, que também havia causado um salto significativo na dívida pública.

Entre 2021 e 2022, o déficit começou a se moderar, passando a 3,6% e 2,9%, respectivamente, mas voltou a dar um salto em 2023, chegando a 4,1%. Com a chegada de Peña e a criação do Ministério da Economia e Finanças (MEF), o Governo iniciou um plano de convergência fiscal para reduzir gradualmente o déficit e voltar ao limite estabelecido pela lei.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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