Os donos da Lua
A Lua como símbolo de poder
Desde a mais remota antiguidade, a Lua foi utilizada para predições, prospecções agrícolas e para legitimar os poderosos. Sua presença no céu noturno representou muito mais que um fenômeno astronômico: converteu-se em um recurso político de considerável importância.
O anúncio de Kennedy
Em 25 de maio de 1961, o trigésimo quinto presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), perante o Congresso daquele país anunciou pela primeira vez que uma das metas de sua administração era levar um americano à Lua. A Guerra Fria (1947-1991) estava em pleno desenvolvimento, e os estrategistas americanos avaliavam que seus adversários da União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) se haviam colocado em vantagem.
A vantagem soviética na corrida espacial
De fato, em 4 de outubro de 1957, a União Soviética colocou em órbita o Sputnik 1, primeiro dos satélites artificiais da história. Quase dois anos depois, em 13 de setembro de 1959, a nave espacial Luna 1 da URSS se chocou contra o solo lunar. Mas a supremacia soviética continuou: em 12 de abril de 1961, o astronauta Yuri Gagarin (1934-1968), a bordo da Vostok 1, orbitou a Terra durante cento e oito minutos sob a direção do líder soviético Nikita Jrushchov (1894-1971).
O conflito pela supremacia parecia não estar indo bem para os americanos. Kennedy sabia que era necessário recuperar o prestígio mundial que seu país havia perdido e, na ordem interna, reconstruir a confiança cidadã.
A meta lunar
Com essa convicção, naquela quinta-feira do quinto mês do ano, o mandatário pediu mais fundos ao Congresso porque garantiu acreditar
que esta nação deve se comprometer a alcançar a meta, antes que termine esta década, de fazer pousar um homem na Lua e devolvê-lo são e salvo à Terra.
Dezesseis meses depois, em 12 de setembro na Universidade de Rice, Kennedy foi além em seu discurso:
Escolhemos ir à Lua nesta década (...) não porque seja fácil, mas porque é difícil.
O êxito do Apolo 11
Em 20 de julho de 1969, dois americanos, Neil Armstrong (1930-2012) e Buzz Aldrin (96), a bordo do Apolo 11, pousaram na Lua e retornaram com êxito. Kennedy não pôde presenciar este acontecimento histórico. Foi assassinado em 22 de novembro de 1963, em Dallas.
Mundialmente, instalou-se a ideia de que os Estados Unidos triunfaram na corrida espacial. Kennedy e seus assessores, ao lançar o compromisso lunar como operação concreta de comunicação política, tinham em vista que desde a mais remota antiguidade, a Lua foi utilizada para legitimar os poderosos e unificar as sociedades com rituais coletivos.
A Lua na cultura popular
Como expressou certa vez Samuel Gelblung (1944-2026),
a Lua, o espaço, os extraterrestres são temas que sempre pagam bem. E isto se aplica não apenas aos conteúdos dos meios de comunicação, mas à política e à diplomacia internacional.
A expressão idiomática estar na lua, que provém da Idade Média quando os astrônomos passavam longas horas observando os céus noturnos, era utilizada para denunciar quem padecia de problemas de atenção ou vivia distraído. Entretanto, começou a perder esse sentido estigmatizante com o passar do tempo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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