Maradona teve uma "morte súbita", diz perito cardiológico no julgamento
Diego Armando Maradona "não tinha patologias evidenciáveis", seu coração era "absolutamente normal" e teve uma "morte súbita", declarou esta quinta-feira o perito cardiológico Ricardo Iglesias no julgamento que tem sete profissionais da saúde no banco dos acusados.
"Foi uma morte súbita. Os eventos agudos súbitos são inesperados e não havia elementos que preanunciassem um final deste tipo", disse Iglesias.
O testemunho do cardiologista contradisse médicos e peritos que declararam antes no julgamento, que asseguraram que Maradona tinha uma miocardiopatia dilatada, que seu coração estava aumentado e que encontraram coágulos compatíveis com "uma agonia de até 12 horas".
"Não tinha patologias evidenciáveis. Tem dois ecocardiogramas realizados no último ano, resistiu três cirurgias, foi visto por 17 médicos em três instituições distintas e nenhum lhe detectou nenhuma patologia", assegurou Iglesias.
O cardiologista fez parte da junta médica interdisciplinar criada em 2021 para analisar as circunstâncias da morte da estrela.
A junta concluiu que a atuação dos médicos foi "inadequada, deficiente e temerária" e que os médicos ignoraram os sinais de alarme que apresentou o paciente, em um parecer que Iglesias assinou em discordância.
A testemunha reconheceu que no ano 2000 Maradona foi diagnosticado com uma miocardiopatia dilatada causada pelo consumo de substâncias tóxicas.
Enquanto outros especialistas declararam antes que um coração que atravessava um episódio desse tipo nunca voltava a ser o mesmo, Iglesias assegurou que uma vez solucionado o problema de consumo, "o coração volta a ter uma função normal".
O especialista negou, por sua vez, que houvesse sinais de alarmes ignorados pelos médicos: "Não houve nenhum elemento preditivo que dissesse que era um paciente de risco cardíaco".
A seu turno, o promotor Cosme Iribarren lembrou à testemunha alguns dos sintomas constatados por pessoal de enfermagem e próximos a Maradona dias antes de sua morte, como o inchaço, a taquicardia, os roncos e a fadiga, elementos que outros experts descreveram como "sinais compatíveis com insuficiência ou falha cardíaca".
"São sinais que não dizem nada", assegurou Iglesias, para depois reconhecer que "houve episódios vinculados a um quadro de hipertensão" e que tais circunstâncias habilitavam a tomar alguma decisão médica, como recomendar "uma dieta sem sal e mobilidade".
Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, enquanto estava submetido a um tratamento domiciliar, que é o objeto principal do debate neste julgamento.
São julgados neste processo o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, a coordenadora de cuidados domiciliares da Swiss Medical, Nancy Forlini, o psicólogo Carlos Díaz, o coordenador de enfermeiros Mariano Perroni, o enfermeiro Ricardo Almirón e o médico clínico Pedro Di Spagna. EFE
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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