Mercosul busca consenso sobre distribuição de cotas comerciais com a União Europeia
Negociações sobre distribuição de cotas
Os países fundadores do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – Argentina, Brasil, Paraguay e Uruguai – continuam trabalhando em definir qual percentual das exportações corresponde a cada sócio sob o acordo com a União Europeia, apenas dois meses depois de sua entrada em vigor provisória.
Embora a lógica inicial contemple repartos equitativos, o processo se complexifica diante das diferenças econômicas que caracterizam esses países. Um exemplo relevante é a negociação pela cota de exportação de carne de frango, fixada pela UE em 180.000 toneladas, segundo informou semanas atrás o ministro de Indústria e Comércio paraguaio, Marco Riquelme.
Postura do Paraguay
O Paraguay manifestou sua intenção de exigir 25% das cotas de produtos onde estas existam, embora atualmente não conte com capacidade para processar envios de 45.000 toneladas anuais de frango.
"Nossa postura concreta é que devemos ter 25% das cotas daqueles produtos que a tenham. É sumamente importante isto para nós, é uma questão de prioridade poder manter e conseguir isso", expressou o vice-ministro de Comércio e Serviços do Paraguay, Alberto Sborovsky.
O país sustenta que esses acordos evitariam que entre os sócios prevaleça "a lei da selva", onde "o primeiro chegado é o primeiro servido".
Primeiros movimentos comerciais
Argentina foi pioneira em aproveitar o acordo. No início de março, enviou seu primeiro carregamento de mel natural sob o tratado de livre comércio, apenas uma semana depois de ratificá-lo. O mel foi importado por uma empresa alemã e ingressou no mercado europeu sem tarifas, quando anteriormente incidia 17,3%.
Os exportadores argentinos se apressaram em solicitar permissões e em poucas semanas esgotaram as cotas preferenciais atribuídas ao Mercosul para mel, ovos e arroz.
Brasil também experimentou aumentos significativos. Em maio, suas exportações ao bloco dos Vinte e Sete cresceram 8,8%, alcançando 4.908 milhões de dólares em relação ao mesmo mês de 2025.
Ainda que produtos como petróleo e minérios já estivessem isentos de tarifas, outros setores obtiveram benefícios diretos. A indústria de carne de frango registrou aumento de 61,6% em maio, com 40.200 toneladas exportadas, cifra próxima aos 25% que reclama o Paraguay.
Situação diferenciada no Uruguai
O caso uruguaio apresenta características distintas. O país mantém a China como principal parceiro comercial, à frente da União Europeia. A entrada em vigor do acordo Mercosul-UE ainda não gerou aumentos em seus volumes de exportação para a Europa.
Em maio, as exportações desde o Uruguai diminuíram 3% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando 1.142 milhões de dólares, com liderança de carne bovina, celulose e soja.
Os especialistas em comércio exterior Gonzalo Oleggini e Ignacio Bartesaghi coincidiram em que ainda é prematuro avaliar o impacto do tratado nas exportações uruguaias, e apontaram que os setores que obtiveram proveito já contavam com experiência comercializando com a Europa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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