Excedentes de energia serão destinados às indústrias
Segundo adiantou o viceministro de Minas e Energia, Mauricio Bejarano, há "um repensar pleno" sobre a relação entre energia e desenvolvimento. Neste contexto, o ciclo de contratos focados em empresas criptomineras e eletroquímicas chegará ao fim para dar lugar à industrialização nacional.
Durante sua participação no programa Letras Chicas, Bejarano confirmou que a medida mais tangível desta mudança de paradigma é a derrogação dos decretos direcionados às indústrias eletroquímicas.
Embora o viceministro tenha reconhecido que a criptomineração foi uma tese válida em seu momento e favoreceu economicamente a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) ao cobrar uma tarifa diferenciada em dólares e a um preço superior, esclareceu que a entrega de energia sob esses termos terminará.
O titular do Viceministério explicou que, com o fim deste esquema, serão liberados importantes volumes de energia—estimados em torno de 1,3 gigawatts de potência—que serão direcionados e utilizados para o crescimento do país.
A visão atual das autoridades aponta a que a eletricidade deixe de ser tratada simplesmente como uma mercadoria de faturamento rápido. A diretriz do Governo é que os megawatts não sejam vistos "como uma mercadoria", mas que se atenda "ao fator de desenvolvimento e industrialização do país".
A partir do vencimento do decreto que estabelece as tarifas para as eletroquímicas (2027), o Governo mudará o modelo de alocação. Bejarano adiantou que serão analisados os requerimentos energéticos "caso por caso"; serão destinadas certas faixas de energia especificamente à indústria e será garantida a energia necessária para acompanhar o crescimento vegetativo da demanda nacional.
O desafio dos USD 20 bilhões. Estas declarações se enquadram na preocupação do Governo ante um crescimento exponencial do consumo elétrico nos últimos três anos, o que obriga a diversificar urgentemente a matriz de geração.
Segundo o Plano Maestro da ANDE, para atender as exigências e demandas elétricas dos próximos 10 anos, o Paraguai necessita de um gigantesco investimento estimado em USD 20 bilhões (desdobrados em USD 15 bilhões para geração, USD 3,3 bilhões em transmissão e USD 1,7 bilhão em distribuição).
Uma vez que o Estado paraguaio não pode responder a este enorme volume de capital por si só, a "mudança de paradigma" implica adequar o marco normativo para dar espaço à banca e ao investimento privado internacional, garantindo uma segurança jurídica sólida.
Situação da ANDE. Ante as dúvidas e resistência geradas em alguns setores, Bejarano foi enfático ao desmentir qualquer intenção de privatizar a empresa estatal. "Ninguém pretende privatizar a ANDE, tudo o contrário", afirmou.
O objetivo real é fortalecê-la institucional e financeiramente, apostando por um acerto de contas dos custos. Busca-se implementar uma "tarifa técnica" transparente que cubra adequadamente os custos de geração, transmissão, distribuição e comercialização, erradicando para sempre a figura da "tarifa política".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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