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Internacional

A revolução dos flamingos: os massivos protestos na Albânia contra o resort que Ivanka Trump e Jared Kushner querem construir

04/06/2026 19:45 3 min lectura 23 visualizações
La revolución de los flamencos: las masivas protestas en Albania en contra del resort que quieren construir Ivanka Trump y Jared Kushner

Os protestos no centro de Tirana, a capital da Albânia, não são precisamente algo inusual. O opositor Partido Democrático (PD) os organiza com tanta frequência que quase poderiam ser considerados uma peculiar atração turística.

Mas as manifestações noturnas desta semana frente ao escritório do primeiro-ministro Edi Rama foram diferentes: estavam dirigidas contra Jared Kushner e sua esposa, Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, assim como contra o governo do Partido Socialista.

O foco dos protestos é um projeto turístico na costa adriática da Albânia. Affinity Partners, a empresa de Kushner, seria um dos investidores, e Rama acolheu o projeto de braços abertos.

Os manifestantes o rejeitam generalizadamente, não apenas como um ato de oposição. Alguns participantes carregavam inclusive cartazes em que se pedia o encarceramento do líder do PD, Sali Berisha — que enfrenta acusações de corrupção por outro assunto — e de Rama.

Um flamingo rosa foi o emblema dos protestos. Isso remete ao uso de um patinho amarelo em um movimento de protesto cidadão de longa data na capital da Sérvia, Belgrado. Mas no caso da Albânia, a ave reflete as preocupações muito concretas dos manifestantes.

Os que rejeitam o projeto afirmam que os planos de desenvolvimento na ilha de Sazan e em um local em Zvernec, perto da cidade costeira de Vlora, representam uma ameaça para os flamingos — que são uma espécie protegida — assim como para outras espécies da zona de áreas alagadas protegida.

Recentemente, Ivanka Trump garantiu em uma entrevista que ela e seu marido esperam criar uma "obra-prima" na ilha, insistindo que estão agindo com a máxima "moderação e cuidado" para proteger a paisagem natural.

O sócio comercial de Kushner, Asher Abehsera, afirma que o projeto se centra na "gestão responsável" e na melhoria do meio ambiente, assim como na criação de emprego e valor para as comunidades locais.

Os manifestantes também estão indignados com o que consideram uma falta de transparência na participação da Affinity Partners, cujas negociações com o governo remontam a 2024.

Alguns cartazes nos protestos destacaram o descontento dos manifestantes pela concessão de terras a promotores estrangeiros, declarando que a Albânia "não está à venda".

O governo insiste que se trata de terras de propriedade privada adquiridas de forma transparente.

Mas outros afirmam que o processo pode não ter sido tão simples. Afinal de contas, sabe-se que a Albânia sofre o caos das reclamações de propriedade derivadas de um processo de privatização desordenado após o fim de 45 anos de nacionalização generalizada imposta pelo regime comunista.

Porém, as preocupações ambientais parecem ser a principal motivação dos manifestantes, em sua maioria jovens.

"Queremos que se detenham todas as obras e que se retirem as máquinas pesadas da zona protegida", afirmou Joni Vorpsi, ecologista da organização PPNEA-BirdLife Albania.

Acrescentou que o projeto proposto "seria uma nova cidade com cerca de 10 mil unidades habitacionais" e ressaltou que "destruiria completamente aquela região selvagem".

Rama se mostrou exasperado em sua resposta aos protestos. Descreveu os manifestantes como "bem-intencionados" mas "mal informados" sobre o possível impacto ambiental.

Insistiu que o projeto traria enormes benefícios à Albânia, com um investimento de 4 bilhões de euros (US$ 4,64 bilhões) que promete tanto postos de trabalho quanto uma melhoria das infraestruturas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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