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Saúde

Terapia gênica personalizada permite a menina com epilepsia grave recuperar autonomia motora

Pesquisadores da Universidade da Califórnia San Diego obtêm resultados significativos em tratamento experimental de encefalopatia epiléptica infantil

22/07/2026 00:15 3 min lectura 16 visualizações

Avanço em terapia gênica personalizada para epilepsia infantil grave

Um equipe internacional de pesquisadores liderada pela Universidade da Califórnia San Diego e pelo Instituto Rady de Medicina Genômica Infantil obteve resultados promissores mediante uma terapia gênica adaptada sob medida no tratamento de dois menores com encefalopatia epiléptica grave relacionada ao gene SCN2A.

Os achados do tratamento experimental com duração de dois anos foram publicados na revista Nature Medicine, abrindo novas perspectivas para expandir no futuro as terapias personalizadas de casos particulares para grupos mais amplos de pacientes com antecedentes genéticos similares, conforme indicam os pesquisadores.

Sobre a doença tratada

A encefalopatia epiléptica e do desenvolvimento relacionada ao gene SCN2A é uma forma rara e grave de epilepsia infantil, além de ser uma das causas mais frequentes de autismo monogênico. A doença surge por mutações pontuais no gene SCN2A, que regula o fluxo de íons de sódio para os neurônios.

Essas mutações geram uma excitabilidade cerebral anômala que provoca crises epilépticas incontroláveis, acompanhadas de atrasos no desenvolvimento, autismo, problemas motores e transtornos gastrointestinais. A maioria dessas mutações é de novo, ou seja, não são herdadas dos pais, mas surgem de forma espontânea.

Os fármacos anticonvulsivos tradicionais resultam geralmente ineficazes nesses casos, já que não abordam a causa genética subjacente relacionada ao gene SCN2A.

Metodologia do tratamento

Nos dois ensaios clínicos independentes realizados durante um período de dois anos, as crianças, que tinham 9 e 14 anos no início do tratamento, receberam uma terapia gênica projetada especificamente para a mutação particular do gene SCN2A de cada uma.

Os pesquisadores criaram fragmentos curtos e sintéticos de DNA denominados oligonucleotídeos antissense seletivos de alelo (ASO), que reconhecem regiões inofensivas do DNA situadas junto à mutação causadora da doença.

Olivia Kim-McManus, uma das cientistas do projeto, explica:

"A terapia está deliberadamente projetada para atuar sobre o diagnóstico genético de cada indivíduo. O ASO modifica a expressão genética e as proteínas que se expressam".

Como cada pessoa possui duas cópias de cada gene, a injeção dos ASO sob anestesia diretamente no fluido cefalorraquidiano silenciou a versão mutante do gene, permitindo que a outra cópia funcionasse normalmente. A terapia foi administrada de forma repetida a cada dois ou três meses.

Resultados obtidos

Após dois anos de acompanhamento, os cientistas registraram melhorias significativas em ambos os pacientes. O menor de 9 anos, que sofria crises quase diariamente, experimentou uma redução de 26% na frequência das mesmas. O paciente de 14 anos alcançou uma diminuição de 90% na reiteração das crises, chegando a períodos de dias sem apresentar eventos epilépticos.

Ambos os menores conseguiram reduzir ou suspender alguns de seus fármacos anticonvulsivos, além de mostrar melhorias nas habilidades linguísticas e motoras, no processamento sensorial e nos comportamentos adaptativos, com uma redução daqueles relacionados ao autismo.

O paciente de maior idade conseguiu caminhar de forma autônoma pela primeira vez aos 15 anos. Além disso, seus problemas gastrointestinais crônicos melhoraram consideravelmente, reduzindo a necessidade de medicação adicional nesse aspecto.

Perspectivas futuras

Esses resultados positivos abrem o caminho para ampliar no futuro as terapias personalizadas, permitindo a passagem de casos pontuais para tratamentos dirigidos a grupos mais amplos de pacientes com antecedentes genéticos similares, conforme asseguram os pesquisadores envolvidos no estudo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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