Dislexia: a importância do diagnóstico precoce e da abordagem interdisciplinar
O que é a dislexia e como afeta a aprendizagem?
A dislexia constitui uma dificuldade específica da aprendizagem que impacta diretamente na leitura, escrita e ortografia das crianças. Conforme aponta a Lic. Guadalupe Domínguez, psicopedagoga na Aula Hospitalar do Hospital Central do Instituto de Previsão Social (IPS), essa condição não guarda relação com a capacidade intelectual:
A dislexia não tem relação com a inteligência. As crianças podem ser perfeitamente capazes de realizar projetos, ser criativas e brilhantes, mas processam a linguagem escrita de maneira distinta.
O impacto do uso excessivo de telas
Um dos fatores que complexifica o panorama atual é o uso desmedido de telas desde tenra idade. A falta de estimulação visomotora afeta significativamente o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita nas crianças.
Um dos fatores muito frequentes é o uso de celulares porque a criança já não tem uma estimulação visomotora, o que lhe dificulta olhar o quadro, copiar e também raciocinar o que está copiando, advertiu a especialista.
Essa carência de estimulação costuma provocar cansaço excessivo e frustração no momento de encarar as tarefas escolares, derivando em desinteresse ou rejeição ao estudo.
Diagnóstico integral e interdisciplinar
Diante da suspeita dessa condição, o diagnóstico certeiro exige uma avaliação integral que descarte outros problemas de origem sensorial ou neurológica. A especialista explicou:
O apoio interdisciplinar é imprescindível com profissionais em Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia com o estudo chamado Audiometria para saber se a criança está captando e decodificando o som que vai de mãos dadas com a linguagem.
Em muitos casos, falhas atribuíveis à dislexia respondem na realidade a deficiências auditivas ou de discriminação fonológica não detectadas a tempo. Por essa razão, a avaliação multidisciplinar resulta fundamental para um diagnóstico preciso.
Intervenção pedagógica e estratégias efetivas
No âmbito pedagógico, a intervenção precoce resulta chave para adaptar as metodologias de ensino às necessidades de cada estudante. A profissional destacou a efetividade de trabalhar mediante o jogo e a orientação espacial:
É fundamental levar a cabo tipos de jogos com as crianças e trabalhar desde a lateralidade. Por exemplo, a letra N é para baixo e a U é para cima, a B é de um lado e a D é do outro lado. Por meio desses jogos existe uma grande possibilidade de que a escrita vá se modificando.
Recomendações para centros educacionais e famílias
Para os centros educacionais, a recomendação principal é detectar os sinais de alerta sem demora e aplicar adequações curriculares personalizadas. Domínguez instou as instituições a esgotarem as instâncias internas e trabalharem de forma articulada com as famílias, evitando que o problema se prolongue sem atendimento nos anos superiores:
Há que incentivar muito a atenção primária, não esperar que a criança esteja na quarta ou quinta série e dar a conhecer que a criança nunca escreveu nem aprendeu a ler.
A dislexia como capacidade diferente
A dislexia não é uma doença que se trate com fármacos, mas uma condição que requer acompanhamento e estimulação constante. Muitas crianças e adultos com dislexia desenvolvem habilidades fortes em outras áreas como a criatividade, a intuição ou o pensamento visual.
É importante conhecer o paciente, o aluno e compreender que a dislexia não é uma doença com tratamentos farmacológicos, concluiu a especialista. Trata-se de uma capacidade diferente que precisa ser compreendida e encaminhada para assegurar o desenvolvimento pleno da criança.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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