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Sociedade

Setenta vezes sete

13/09/2026 10:45 4 min lectura 215 visualizações

Então, aproximou-se Pedro para lhe perguntar: —Senhor, quantas vezes tenho que perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete?

Jesus lhe respondeu: —Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete".

A pergunta de Pedro refere-se a um tema difícil e que a todos nos afeta: a necessidade de perdoar. Esta questão coloca-se com frequência diante dos inevitáveis atritos da vida diária na convivência familiar, com os amigos ou nas relações profissionais. Não é raro que nos sintamos feridos pensando que alguém nos ofendeu, desprezou ou prejudicou e não uma única vez, mas reiteradamente. Perdoar custa. Por isso, a pergunta de Pedro nos parece razoável: Tenho que perdoar sempre?

Bento XVI convida a refletir acerca do que implica o perdão. "A ofensa –diz– é uma realidade, uma força objetiva que causou uma destruição que deve ser remediada. Por isso o perdão deve ser algo mais que ignorar, que tentar esquecer. A ofensa tem que ser reparada, consertada e, assim, superada. O perdão custa algo, sobretudo a quem perdoa: tem que superar em seu interior o dano recebido, deve como que cauterizá-lo dentro de si, e com isso renovar-se a si mesmo, de modo que depois este processo de transformação, de purificação interior, alcance também o outro, o culpável, e assim ambos, sofrendo até o fundo o mal e superando-o, saiam renovados. Neste ponto nos encontramos com o mistério da cruz de Cristo".

Com efeito, as dificuldades que encontramos para perdoar não são tão grandes comparadas com o que fez Jesus Cristo por cada um de nós. Nesta parábola expressa-se muito bem o contraste entre a atitude mesquinha dos homens em perdoar com cálculo e a misericórdia infinita de Deus. Um talento equivalia a seis mil denários e um denário era o salário diário de um trabalhador. Dez mil talentos é uma quantidade exorbitante que nos dá ideia do valor imenso que tem o perdão que recebemos de Deus.

São Josemaría nos faz ver que "as circunstâncias daquele servo da parábola, devedor de dez mil talentos, refletem bem nossa situação diante de Deus: também nós não contamos com o quê pagar a dívida imensa que contraímos por tantas bondades divinas, e que aumentamos ao som de nossos próprios pecados. Embora lutemos denodadamente, não conseguiremos devolver com equidade o muito que o Senhor nos perdoou. Mas, à impotência da justiça humana, supre com sobra a misericórdia divina. Ele se pode dar por satisfeito, e remitir-nos a dívida, simplesmente porque é bom e infinita sua misericórdia".

Ante tanta generosidade por parte de Deus para conosco, como não vamos perdoar aos demais? "Longe de nossa conduta, portanto –continua concretizando são Josemaría–, a lembrança das ofensas que nos tenham feito, das humilhações que tenhamos sofrido -por injustas, incivis e toscas que tenham sido-, porque é impróprio de um filho de Deus ter preparado um registro, para apresentar uma lista de agravos. Não podemos esquecer o exemplo de Cristo". Com o olhar fixo em Jesus é como podemos renunciar a todo rancor e manter nosso coração saudável e limpo de toda inimizade.

Quando vier a tentação de não perdoar recordemos as palavras do Senhor misericordioso àquele servo desapiedado: "Servo malvado, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão de teu companheiro, como eu tive de ti?" (vv. 32-33). Ao experimentar a alegria, a serenidade e a tranquilidade interior que se sente ao ser perdoado, podemos com a ajuda de Deus abrir-nos à possibilidade de perdoar.

(Frases extraídas de https://opusdei.org/es-py/gospel/2026-09-13/)

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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