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Economia

Queda do dólar atinge mais de 25 mil famílias de recicladores

Associação alerta para crise econômica na cadeia de reciclagem do Paraguai

14/09/2026 10:45 3 min lectura 218 visualizações

A Associação de Recicladores do Paraguai (Arepar) enfrenta uma de suas piores crises econômicas dos últimos anos devido à forte queda do dólar. O presidente da entidade, Eladio Ortiz, explicou ao jornal Última Hora que a desvalorização da moeda norte-americana abaixo de G. 6.000 impactou diretamente nos preços dos materiais recuperáveis, especialmente ferros-velhos, ferros e alguns plásticos.

O presidente mencionou que "Arepar foi fundada em 22 de dezembro de 2008 e conta com 10 acopiadores". Embora a associação seja integrada formalmente por esse número de sócios, atualmente representa mais de 25 mil famílias recicladoras que dependem dessa atividade para seu sustento diário.

Segundo Ortiz, o problema principal é a queda do dólar. Quando a moeda superava G. 8.000, os rendimentos eram mais sustentáveis. Hoje, 100 quilos de ferros-velhos e ferros que antes geravam cerca de G. 120.000 mal rendem G. 60.000. "Cai o preço internacional e com a queda do dólar o nosso preço na indústria também cai", destacou o presidente.

Trabalho rotineiro. O presidente mencionou que os recicladores de base percorrem ruas e bairros com carrinhos todos os dias, independentemente do clima, para recolher ferros-velhos, plásticos, papelão e borrachas. Esse trabalho, além de ser sua principal fonte de renda, cumpre uma função ambiental ao remover resíduos da via pública.

Dependendo da distância. A situação se agrava fora de Assunção. Em departamentos como Concepción, o quilo de ferro-velho é pago entre G. 300 e G. 400, enquanto na Capital o valor é maior. "É preciso pagar o deslocamento e tudo isso tem um custo. Quanto mais longe, mais barato", explicou Ortiz.

A isso se soma que, há aproximadamente quatro meses, a indústria deixou de comprar certos plásticos (PET verde, azul e óleo transparente) por falta de mercado.

Como funciona a cadeia de reciclagem? A cadeia da reciclagem funciona de forma circular: começa com o coletor de base – muitas vezes famílias inteiras –, passa pelos acopiadores e chega às indústrias exportadoras. Além disso, Ortiz mencionou que a associação capacita seus associados na classificação de materiais para que obtenham melhores preços. "Se trazem tudo misturado podem fazer G. 50.000; se classificam, chegam a G. 80.000 ou 90.000", explicou Ortiz.

O presidente da associação alertou que se os preços continuarem baixos e as indústrias deixarem de comprar, as ruas e aterros como Cateura se encherão novamente de resíduos que levam entre 100 e 150 anos para se degradar. Apesar das dificuldades, os recicladores não abandonam a atividade. "Amamos nosso trabalho. É nosso ofício", afirmou.

Ortiz solicitou que o Banco Central do Paraguai (BCP) intervenha ou forneça respostas sobre possíveis medidas. Também pediu à população que separe na origem materiais como alumínio, papelão, papel branco, borrachas e vidros, para facilitar o trabalho dos coletores e evitar riscos.

Às municipalidades pediu apoio em ferramentas (carrinhos, coletes de identificação) e não em dinheiro. "Estamos fazendo praticamente o trabalho de limpeza dos bairros", sustentou.

Também, o presidente insistiu que é necessária maior coordenação para jornadas ambientais conjuntas.

Dessa forma, reconheceu a ajuda recebida da Fundação Moisés Bertoni e as capacitações permanentes com a Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy).

A crise, que já se sente há cinco ou seis meses, afeta especialmente famílias vulneráveis que vivem da reciclagem. Arepar mantém sua preocupação, mas também seu compromisso de continuar operando enquanto busca soluções que permitam sustentar essa atividade econômica e ambiental.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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