PISA, o calcanhar de Aquiles
Os asiáticos arrebataram os maiores escores globais, destacando-se Singapura, Japão e Coreia do Sul. Na Europa estiveram acima da média: Estônia, Reino Unido, Finlândia, Irlanda; nas Américas, Canadá. Na América Latina destacam-se por melhores resultados gerais Uruguai e Chile, embora ambos tenham piorado em compreensão leitora. Não se submetem depois aos testes regimes como Cuba, Nicarágua e Venezuela. O resto se alinha, digamos assim, porque é preciso entender que este relatório é uma espécie de credencial laboral global.
O Paraguai caiu 21 pontos em compreensão leitora em relação ao exame anterior que foi em 2022. Quase 8 de cada 10 alunos não alcançam o nível básico. Em ciências retrocedeu 13 pontos e em matemática manteve os níveis baixos, 9 de cada 10 estudantes não conseguem depois resolver problemas básicos. Embora seja enviesado e existam variáveis que temos que considerar em cada caso, não é agradável ficar tão atrás neste tema.
Toda esta semana esteve-se analisando desde várias perspectivas o problema e suas possíveis causas. Fala-se do uso excessivo de telas para fins recreativos, o que reduz a capacidade de concentração, a cada vez maior dependência da inteligência artificial (IA), já não como ferramenta útil de apoio escolar, mas como automatizadora de tarefas que perdem significado ao não terem associadas um esforço cognitivo. Apontou-se além disso que até hoje se arrastam sequelas da pandemia que atrasou os garotos que hoje rendem as provas, e que há absenteísmo nas escolas.
Não faltaram os que apontassem que não se desenvolve o pensamento crítico no sistema e que isto estaria relacionado à memorização, o qual é um clichê que não condiz com a realidade dos melhores resultados obtidos pelos asiáticos, os quais sim que recorrem à memorização. É mais bem o contrário, o pouco uso da memória está relacionado ao déficit de atenção.
Por suposto, o pensamento é difícil de desenvolver quando se sobrecarregam matérias no currículo, mas se eliminam conteúdos que sim ajudam a pensar e resolver problemas, como são filosofia, lógica e história.
Fala-se também de um relaxamento nos níveis de exigência pedagógica e de rigor acadêmico.
Os pais apontam para os docentes pouco qualificados, os docentes para os pais distraídos e superprotetores, ambos para o Estado que os asfixia com burocracia, sem ouvir nem respeitar a comunidade educativa, o Estado pede aos cidadãos mais orçamento, como sempre. O certo é que tem servido para colocar em moda o tema educativo, não sei se para revisá-lo em profundidade.
Lembrando do estimado e sábio educador recentemente falecido, Padre Jesús Montero Tirado,
"a educação paraguaia necessita mudanças substanciais, não basta um remendo", mas a transformação de que tanto se fala não pode vir desde parâmetros meramente economicistas ou globalistas, tem que apontar-se à integralidade da pessoa e a todos os elementos do sistema educativo, para o qual se necessita contar com um diagnóstico realista desde e para a comunidade educativa. Desintegrados, os pais, docentes e estudantes ficam à mercê do vento norte e dos humores caprichosos dos governantes de turno. Há que devolver a alma à educação. Mas quais são os espaços que se conformam concretamente para isto?
A recomposição da comunidade educativa local como protagonista é nosso primeiro calcanhar de Aquiles.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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