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Unipersonal sobre Serafina Dávalos volta para interpelar o presente

Pioneira do feminismo paraguaio retorna aos palcos

18/09/2026 10:45 3 min lectura 93 visualizações

Serafina Dávalos volta ao palco para interpelar o presente. "Serafina, onde estás?" volta a se apresentar nesta sexta-feira 18 de setembro, às 20:00, no Café Salco, situado na José Asunción Flores quase Vicepresidente Sánchez. Entrada G. 60.000, inclui uma pizza e um vinho.

A primeira advogada do Paraguai, pioneira do pensamento feminista e autora de Humanismo, retorna aos palcos com o unipersonal escrito e protagonizado por Gustavo Ilutovich e dirigido por Agustín Núñez.

A obra recupera a figura de uma mulher que abriu caminhos na educação, no Direito e na vida intelectual, mas que após sua morte foi relegada do relato público. Rosemary Dávalos, sobrinha neta de Serafina, contribuiu com a memória familiar e uma busca que ainda continua.

Dávalos foi a primeira mulher em alcançar o doutorado em Direito no Paraguai, educadora, intelectual e autora de Humanismo, tese apresentada em 1907 na qual defendeu ideias de vanguarda sobre a condição feminina e a igualdade entre homens e mulheres.

Também debateu com a intelectualidade masculina do 900 no Cenáculo de La Colmena, onde foi conhecida como "a rainha de La Colmena", e abriu caminhos em âmbitos que naquele então estavam reservados quase exclusivamente aos homens.

Gustavo Ilutovich, com 51 anos de atividade teatral, escreveu este roteiro inspirado em sua história, "através da qual comecei a admirá-la e a aprender sobre o verdadeiro feminismo. Esse que busca a igualdade entre homens e mulheres. Abriu meus olhos sobre as injustiças a que desde sempre foram submetidas as mulheres", comentou ao ÚH.

Seu interesse foi além do palco. Envolveu-se na investigação sobre a vida de Serafina e passou a integrar a Associação Resgatando a Serafina, junto com familiares e referentes da cultura.

"Nutrido por sua história, decidi trabalhar em um texto teatral que reflete o que me emociona de sua figura", comentou.

Decidiu contar a história desde sua própria perspectiva, "relatando o que considerava os momentos mais importantes desta grande mulher".

Para Ilutovich, Serafina foi "duplamente silenciada". Durante sua vida foi uma figura transgressora, abriu "tantas portas seladas com correntes, cadeados e trancas para as mulheres".

Após sua morte, por outro lado, sua figura ficou relegada. "Seu corpo inumado como NN, despojada dos numerosos bens e ignorada, silenciada. Nunca uma homenagem daqueles espaços pelos quais transitou e brilhou".

Em 1986, o surgimento da tese Humanismo em uma biblioteca particular despertou o interesse por recuperar sua obra e sua história.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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