Por que Iván Cepeda denuncia que o governo do Equador interferiu nas eleições da Colômbia
O senador Iván Cepeda, candidato da esquerdista Pacto Histórico, denunciou este domingo uma suposta interferência do governo do Equador nas eleições presidenciais da Colômbia.
O aspirante governista acusou o presidente equatoriano, Daniel Noboa, de "interferir" no processo eleitoral colombiano e de atuar em coordenação com o candidato de direita radical Abelardo de la Espriella.
Com 43,74% dos votos, De la Espriella se impôs na primeira volta das eleições presidenciais e se enfrentará a Cepeda, que obteve 40,90%, na segunda volta prevista para o próximo 21 de junho.
"Autoridades e até mesmo governos estrangeiros estão interferindo em nossas eleições, como ocorreu com o senhor presidente Noboa, motivado ou certamente combinado e conspirado com o senhor De la Espriella", afirmou Cepeda em um discurso proferido após conhecer os resultados.
As declarações ocorrem depois que o governo colombiano rejeitasse no sábado uma iniciativa anunciada por Noboa para eliminar as tarifas sobre importações procedentes da Colômbia, medida que o mandatário equatoriano vinculou a um acordo alcançado com o candidato de direita radical.
Um dia antes dos pleitos, Noboa anunciou que eliminaria o imposto de 100% aplicado a determinados produtos colombianos após conversar com De la Espriella.
"Alcançamos um acordo com Abelardo de la Espriella para fortalecer a cooperação em comércio, energia e segurança, em benefício de ambos os países", escreveu o presidente equatoriano na rede social X.
"As medidas adotadas nos últimos meses tiveram um objetivo claro: proteger nossas fronteiras, combater o crime transnacional e defender os equatorianos", acrescentou.
"Após uma conversa com ele e confirmar sua vontade de impulsionar uma luta real e conjunta contra o narcotterrorismo, determinei eliminar a partir de 1º de junho a taxa de segurança aplicada aos produtos colombianos".
Pouco depois, a Chancelaria colombiana qualificou o anúncio como uma "deliberada ingerência no processo eleitoral em curso na Colômbia".
Em um comunicado, também assinalou que as declarações de Noboa constituem uma "intromissão de um líder estrangeiro" e uma "violação flagrante do princípio de não intervenção nos assuntos internos".
Noboa, que se tornou o presidente mais jovem da história do Equador após vencer as eleições presidenciais em abril de 2025, foi um dos primeiros mandatários da região em reagir aos resultados da primeira volta colombiana.
Em uma publicação no X, felicitou De la Espriella pelo que descreveu como "uma grande vitória".
"Infelizmente, ser mau perdedor é algo contagioso. Correa conseguiu contagiar outros da região. Sucessos na segunda volta. O povo colombiano precisa de uma mudança real", escreveu Noboa em referência ao ex-presidente equatoriano Rafael Correa.
Além de denunciar uma suposta ingerência estrangeira, Cepeda afirmou que não reconhecerá os resultados definitivos das eleições até que se esclareçam "as dúvidas" sobre o censo eleitoral e várias impugnações apresentadas em mesas de votação.
O candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro assegurou que existe uma diferença de 885.000 pessoas no registro eleitoral.
"Há uma discrepância que queremos verificar em torno do censo eleitoral, e essa não é qualquer discrepância: estamos falando de 885.000 pessoas", declarou durante uma intervenção perante centenas de simpatizantes em Bogotá.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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