Paraguai não cederá a pressões da China em detrimento de seus parceiros
O presidente da República, Santiago Peña, reafirmou o alinhamento econômico do Governo paraguaio com seu parceiro, Estados Unidos, em resposta à pressão por parte da China para estabelecer um canal formal de negociação com o bloco do Mercosul.
Sustentou que o Paraguai privilegiará as relações comerciais com os parceiros com os quais o país mantém relações diplomáticas, entre os quais não se encontra a China.
Em conversa com os meios de comunicação ontem, Peña afirmou que a China exerce uma pressão enorme sobre o bloco em geral, em alusão ao Mercosul, mas sobre o Paraguai em particular.
A presumida ingerência chinesa no país para supostamente desestabilizar seu governo, segundo Peña, ocorre no contexto da licitação da rede 5G que venceu a Nubicom.
Peña disse que ali "há também interesses comerciais e nós temos que ser muito cuidadosos porque aqui se mistura um pouco a geopolítica".
O mandatário foi além e apontou que o que incomoda a China é que o Paraguai se abasteça através de empresas com as quais mantém relações.
"Quem está fazendo uma pressão enorme é o Governo da China Popular, porque o Paraguai fez algo que lhe gerou uma incômodo enorme, que é pedir que os fornecedores provenham de países com os quais o Paraguai mantém relações diplomáticas. E não é o caso com a China Popular", sustentou.
Campanha suja? Para o mandatário, as críticas à gestão de seu governo têm influência da China, mas afirmou que disso se trata a geopolítica.
"Empresas daquele país estão hoje financiando através de meios de comunicação ataques ao Governo, mas esta é a influência da China, esta é a geopolítica", sustentou.
Acrescentou que é o custo que o Paraguai paga por exercer soberanamente a decisão de escolher seus parceiros, entre os quais nomeou os Estados Unidos.
"Este é o preço que o Paraguai paga por ter que se alinhar geopoliticamente com os Estados Unidos, por se alinhar geopoliticamente com nosso grande amigo que é Taiwan", admitiu.
Sustentou que o suposto ataque a seu governo por parte de setores contestatários, incluída a imprensa, responde aos interesses chineses e instou aos consórcios paraguaios a "terem muito cuidado para não serem simplesmente porta-vozes de outros governos", com relação à China.
Relação com Brasil. O mandatário fez menção à posição contundente demonstrada ante o Brasil, com relação aos pormenores em torno da abertura da Ponte da Integração, que une o país ao gigante do Mercosul. Havia feito um forte reclamo a seu par Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula.
"Minha posição não passou despercebida e nunca na história do Paraguai nosso país teve uma posição tão forte e muita gente me diz: 'Será que eu não tenho medo de incomodar o Brasil' e lhe digo que não", apontou.
"Se devo defender o Paraguai, eu não tenho nenhum medo apesar de eu ter uma relação excelente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ele sabe muito bem que vou defender os interesses de nosso país. O Paraguai já é o país que mais cresce e acaso acreditam que não lhes incomoda quando empresários brasileiros demonstram interesse em investir aqui?", sustentou Peña com relação ao impasse com seu homólogo do Brasil.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.