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Brasil-Paraguai

A economia chinesa avança no Paraguai à margem da diplomacia

Sem relações diplomáticas com Pequim, o país se tornou um mercado dominado por produtos chineses, apesar de manter laços com Taiwan

04/07/2026 11:02 4 min lectura 6 visualizações
La economía china avanza en Paraguay por fuera de la diplomacia

Sem relações diplomáticas com Pequim, o Paraguai se converteu em um mercado onde os produtos chineses dominam o consumo e também aparecem nas compras públicas.

A expansão do comércio com a China contrasta com a política exterior paraguaia. Enquanto o país mantém relações diplomáticas com Taiwan há mais de 65 anos e é o único da América do Sul que o reconhece oficialmente, o gigante asiático se consolidou como o segundo parceiro comercial do Paraguai e o principal fornecedor de bens importados.

Esse crescimento também se reflete na presença empresarial. Várias empresas de origem chinesa operam por meio de representantes com residência ou naturalização paraguaia. Em investimento direto, porém, sua participação permanece reduzida. No regime de maquila representam apenas 1%.

Evolução

De acordo com o Banco Central do Paraguai (BCP), não havia registros de importações desde a China até 2000, quando começaram as primeiras compras por USD 219.647. O ponto de inflexão chegou em 2006, há 20 anos, ao superar USD 1.000 milhões.

A partir de então, o crescimento foi constante até alcançar o recorde de USD 6.122 milhões em 2025. Entre janeiro e maio de 2026, as importações já somam USD 2.747 milhões, equivalentes a 36,4% do total nacional.

O economista Jorge Garicoche atribui parte dessa expansão à competitividade da indústria chinesa. Aponta que cerca de um terço das importações paraguaias provêm desse país e que produtos como automóveis e eletrodomésticos deixaram para trás a imagem de bens de baixa qualidade para ganhar espaço graças à tecnologia e à competitividade.

Relação assimétrica

Em pouco mais de duas décadas, a China passou de não ter participação a abastecer mais de um terço das importações paraguaias.

Entretanto, a relação comercial apresenta um forte desequilíbrio. Em abril de 2026, a balança comercial fechou com um déficit de USD 289 milhões, com importações de USD 292 milhões e exportações de apenas USD 2,95 milhões. As vendas caíram 38,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O perfil do intercâmbio também é desigual: o Paraguai importa bens manufaturados e exporta principalmente insumos sem processar.

Garicoche sustenta que a abertura paraguaia não encontra reciprocidade. Afirma que o país deveria ter liberdade para negociar a entrada de seus produtos no mercado chinês, mas considera que o principal obstáculo continua sendo a condição imposta por Pequim de abandonar as relações diplomáticas com Taiwan.

O economista também vai além de uma problemática não apenas de mudança diplomática, mas de uma perspectiva econômica, e se questiona antes de modificar a política exterior: que produtos o Paraguai pode colocar em um mercado altamente competitivo e com múltiplos fornecedores.

Contraponto com Taiwan

Enquanto o comércio com a China se concentra em importações, Taiwan representa um mercado de menor volume, mas com resultados favoráveis para as exportações paraguaias. Em 2025, os envios alcançaram USD 342 milhões, impulsionados principalmente por carne bovina e suína. Para Garicoche, esse mercado demonstra que a relação diplomática também gera oportunidades comerciais concretas e pode se ampliar com novos produtos.

O presidente da União Industrial Paraguaia (UIP), Enrique Duarte, considera contraditório que o Paraguai mantenha seu mercado aberto aos produtos chineses sem contar com iguais possibilidades para exportar.

"Por que nós podemos acessar o que a China produz e por que eles não podem acessar o que o Paraguai produz? É uma incongruência", afirmou.

Por sua vez, referiu que na relação do Paraguai com a China se busca o desembarque de suas empresas com negociações a nível privado, empresa a empresa e não entre os Estados, com vistas a indústrias tecnológicas.

"Se nós somos tão abertos ao mer...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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