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Saúde

Paraguai destinou USD 361 milhões em seguros médicos privados para funcionários entre 2020 e 2024

31/08/2026 20:45 3 min lectura 22 visualizações

Análise do gasto sanitário estatal

Uma investigação sobre a evolução do sistema sanitário paraguaio examina os recursos destinados a contratar seguros médicos privados para funcionários públicos. Segundo a análise da pesquisadora Patricia Lima Pereira, entre 2020 e 2024, o Estado paraguaio destinou USD 361,6 milhões à compra de seguros médicos privados para funcionários públicos.

Dados do sistema de saúde mostram que em 2024, 71,4% da população não contava com nenhum seguro médico, o que contrasta com o investimento estatal em cobertura privada para funcionários.

Reforma de saúde oculta

A investigação está incluída no livro Economia, Sociedade e Estado: 35 anos de democracia no Paraguai, publicado pelo Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep), dentro do capítulo "Trajetórias divergentes: uma análise centrada em atores do sistema de saúde e da proteção social no Paraguai".

Lima denomina este processo como "a reforma de saúde oculta". Sua análise sustenta que desde 2018 ocorreu uma transformação na estrutura do gasto sanitário caracterizada por uma crescente participação do setor privado na prestação de serviços financiados com recursos públicos.

"Desde 2018, o Estado paraguaio tem financiado uma mercantilização sustentada do acesso à saúde", aponta a pesquisadora.

A autora identifica dois mecanismos principais: a terceirização de serviços médicos e a compra de seguros médicos privados para funcionários públicos. Ambas as modalidades representam atualmente um montante equivalente a cerca de 10% do orçamento de Saúde.

Concentração do gasto

A análise das contratações públicas mostra que entre 2020 e 2024 foram destinados USD 361.557.451 a seguros médicos privados para funcionários públicos. O gasto esteve altamente concentrado: 15 instituições, de um total de 65, absorveram 80% do montante.

Em 2020, ano identificado como o de maior volume de adjudicações, mais de 90% dos fundos destinados a seguros médicos se concentraram em seis empresas, de um total de 14 prestadoras autorizadas. Entre elas se encontram Reyva SA, com USD 13,9 milhões, e Santa Clara SA, com USD 10,4 milhões.

Outra das empresas destacadas é Promed, que recebeu adjudicações por USD 8,7 milhões em 2020. O estudo também identifica Asismed, Medi Plan e SIME entre as principais empresas beneficiadas.

Limitações das apólices privadas

Um dos pontos centrais da análise de Lima é que ter um seguro privado não necessariamente garante uma cobertura integral. A investigação sustenta que as apólices podem conter restrições frente a determinadas doenças crônicas ou tratamentos de alta complexidade.

Adverte que quando um funcionário desenvolve uma patologia complexa que não está coberta por seu seguro, pode terminar novamente no sistema público ou enfrentando um gasto elevado de próprio bolso.

A análise compara o investimento estatal direto em infraestrutura, equipamento e tecnologia com os recursos destinados à compra e externalização de serviços privados, processo que foi particularmente visível após a pandemia de Covid-19.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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