Segunda, 31 de Agosto de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Saúde

Médicos descrevem realidade desoladora do Hospital de Itauguá: "Sistema arcaico e insustentável"

Profissionais relatam condições precárias, falta de insumos e pacientes internados em corredores por meses

31/08/2026 19:45 3 min lectura 19 visualizações

Amontoados em uma pequena sala, 12 pacientes acompanhados de um ou dois familiares – que permanecem por precisarem comprar insumos ou medicamentos – estão internados em condições precárias em uma área improvável de Urgências do Hospital Nacional de Itauguá, enquanto os médicos fazem malabarismos para salvar vidas.

Às vezes precisam esperar a chegada de insumos para poder aplicar seus conhecimentos, uma situação que descrevem como impotência extrema.

Conter a raiva provocada por "um sistema arcaico que já não aguenta mais" também faz parte de suas tarefas diárias.

Em uma transmissão ao vivo para NPY, feita com permissão de pacientes e médicos, evidenciou-se mais uma vez a internação angustiante de paraguaios em um hospital público.

Há três meses, a área de Urgências recebe entre 25 e 35 pacientes por dia, que são alojados nos corredores improvisados como salas de internação ou unidades de terapia. Ali deveriam estar, no máximo, alguns dias; porém, permanecem lá por meses.

Assim descreveu a doutora Paloma: "Temos áreas de internação onde ficam por meses. Ficam lá porque não temos sala de internação. E aqui ficamos amontoados. Estamos entre 12 e 13 pacientes".

No corredor contam com três bocas de oxigênio, mas muitas vezes precisam trazer garrafas para os pacientes que apresentam insuficiência respiratória.

A doutora apontou uma pequena sala para procedimentos, como punção lombar e sondagem, mas ali alojam os pacientes "mais delicados", onde "os intubamos, complicamos e, se não há terapia, ficam lá onde temos que ambuceá-los por noites".

Trata-se de um neologismo e termo popular entre médicos usado nas urgências para fornecer ventilação manual a um paciente mediante o uso de um AMBU ou ressuscitador manual. Uma vez realizada a intubação orotraqueal, o paciente deveria estar conectado a um respirador. Mas como não contam com ciclador, "nós ambuceamos de forma manual. Nos revezamos entre uma e duas horas por médico", explicou o doutor Tobías Moreno.

Os médicos lamentaram que a luta seja desprestigiada por alguns setores nas redes sociais, reduzindo seu pedido simplesmente a querer ganhar mais.

Moreno apontou que os pacientes que chegam são do interior do país ou de hospitais da periferia onde já não podem ser mantidos.

"Então, nós dentro deste sistema arcaico onde tentamos sustentar pacientes, tentamos mantê-los vivos. Não temos seringa, insumos, muitas vezes nem sequer temos antibióticos de amplo espectro", detalhou.

Entre os insumos que faltam figuram seringa de 10 cc e sonda K66.

"Dá raiva não poder salvar uma vida. Se um paciente delicado amanhece com vida e passa para uma unidade de cuidados intensivos, é porque médicos residentes, médicos de sala e médicos plantonistas passaram a noite ambuceando o paciente", destacou Moreno.

Os médicos lamentaram que a luta seja desprestigiada nas redes sociais, reduzindo seu pedido simplesmente a querer ganhar mais.

Por sua vez, o doutor Jorge Viera, de R3 em Hematologia, explicou que quando chega um paciente com insuficiência respiratória, precisa ser intubado com materiais que não dispõem.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.