Ovando sobre a criação: "Com ajustes básicos podemos dar saltos produtivos importantes, mas falta extensão"
A pecuária paraguaia tem ainda um amplo espaço para melhorar seus indicadores produtivos, mas o principal desafio não estaria necessariamente na disponibilidade de novas tecnologias, mas em conseguir que ferramentas básicas de manejo e gestão cheguem efetivamente a uma maior quantidade de produtores.
Desta forma o colocou o doutor Jorge Ovando, assessor veterinário, durante uma entrevista com Valor Agregado, onde afirmou que um dos principais gargalos que enfrenta atualmente o setor está relacionado com a extensão e o acesso do pequeno e médio produtor a técnicos, conhecimentos e tecnologias que já estão disponíveis.
"Creio que o principal problema não é a falta de técnicas, de tecnologias ou de técnicos, mas que nosso principal limitante é a falta de extensão e a falta de acesso do pequeno e médio produtor a estas tecnologias e a estes técnicos", afirmou.
Ovando apontou que o Paraguai mantém ainda indicadores que refletem uma baixa incorporação de determinadas práticas consideradas básicas dentro de um sistema pecuário orientado a melhorar a eficiência reprodutiva.
Como referência, mencionou dados apresentados recentemente durante uma atividade organizada pela Associação de Reprodutores do Paraguai, onde se expôs que menos de 15% dos estabelecimentos registrados realizariam diagnóstico de gestação.
Além disso, indicou que menos de 20% das vacas expostas a serviço estariam dentro de sistemas com serviço estacionado, enquanto que somente entre 5% e 10% do rebanho nacional seria inseminada.
Para o especialista, vários destes processos não necessariamente representam investimentos elevados para o produtor, mas decisões relacionadas com planejamento, gestão e adoção de práticas que permitem conhecer com maior precisão o que está acontecendo dentro do rebanho. "Um diz que o diagnóstico de gestação é algo básico, é o mínimo. Não é uma questão de dinheiro", expressou.
Nesse sentido, sustentou que a problemática requer uma participação conjunta dos diferentes atores da cadeia. "É uma deficiência na qual participamos todos um pouco, cada um com nossa responsabilidade, desde o Governo até os técnicos e, é claro, também os pecuaristas", comentou.
Ovando explicou que as diferenças são importantes dependendo do nível de tecnificação de cada estabelecimento. Em campos onde existe menor planejamento, pequenas mudanças de manejo podem gerar saltos produtivos significativos, enquanto que em empresas mais tecnificadas as melhorias costumam ser menores em termos percentuais, embora igualmente terminem se refletindo nos resultados.
O veterinário também considerou que a sanidade continua sendo um dos pontos fracos dentro da produção pecuária nacional, embora tenha esclarecido que não pode ser analisada de forma isolada. "A reprodução depende da nutrição..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.