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Economia

O curral argentino muda o modelo: terneros caros impulsionam animais mais pesados e maior produção de quilos

24/08/2026 11:45 3 min lectura 46 visualizações

A pecuária argentina começa a mostrar uma transformação progressiva em seus sistemas de terminação. O maior valor dos terneros, combinado com uma relação favorável quanto ao custo de alimentação, está levando os corrales a estender os ciclos produtivos e aumentar os pesos de faena, enquanto o país inicia paralelamente uma lenta fase de retenção de matrizes.

Juan Carlos Elizalde explicou a Valor Agro que a mudança já pode ser observada tanto nos animais preparados para exportação quanto naqueles tradicionalmente destinados ao mercado interno.

No caso do gado exportável, sinalizou que atualmente os animais estão chegando ao abate com entre 40 e 50 quilos adicionais.

Mas a transformação também começa a ser observada no gado de consumo. "Estamos passando de um abate de 300 ou 320 quilos para um abate de 360 ou 380 quilos", assegurou durante uma entrevista com Valor Agro.

O principal fator por trás dessa mudança é o econômico. Elizalde explicou que o ternero representa atualmente um investimento inicial elevado para os sistemas de engorda. Frente a essa realidade, terminar rapidamente um animal leve pode gerar um resultado insuficiente ou até mesmo negativo.

A alternativa passa por mantê-lo durante mais tempo e produzir uma maior quantidade de quilos. "Quem é dono dos terneros te diz: paguei um ternero caro, a comida eu a tenho barata. Então, para diluir o custo da matéria-prima, tenho que produzir mais quilos para compensar a compra-venda negativa", explicou.

Essa lógica começa a se trasladar a toda a cadeia. Não somente o feedlot precisa produzir um animal mais pesado, mas também os abastecedores e operadores que engordam gado próprio devem se adaptar a essa equação econômica.

"Se tem que comprar um ternero caro e depois o abate leve, perde dinheiro. Então ele também se vê obrigado a fazê-lo pesado", acrescentou.

Como consequência, começa a se modificar gradualmente a composição da oferta. "O que está acontecendo com o gado leve é que cada vez há menos percentual e vai aparecendo uma maior proporção de gado pesado", afirmou.

Para aprofundar esse processo, a Argentina precisa desenvolver mais recria e estender a produção de quilos antes da entrada ao corral.

Porém, Elizalde advertiu que existem restrições importantes. A disponibilidade de superfície compete em muitas regiões com a agricultura e, além disso, montar sistemas de recria requer um investimento considerável de capital. "Hoje na Argentina fabricar comida é o de menos", sinalizou.

O problema, explicou, não está exclusivamente no custo de implantar uma pastagem, mas em financiar o gado necessário para aproveitá-la. "Um hectare de pastagem pode custar 300 dólares. Agora, se tenho que colocar todos os animais em cima, são 4.000 dólares", exemplificou.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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