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Internacional

"Meu pai me pedia perdão e me dava um alfajor depois de abusar de mim": o testemunho de Sara Martínez, irmã do jovem uruguaio condenado por matar o pai

29/04/2026 10:45 4 min lectura 12 visualizações
"Mi padre me pedía perdón y me daba un alfajor después de abusar de mí": el testimonio de Sara Martínez, la hermana del joven uruguayo condenado por matar a su padre

Advertência: as descrições deste testemunho contêm imagens perturbadoras.

Carlos Martínez e Mercedes Pereira deram nomes bíblicos aos seus seis filhos: Ana, Moisés, Sara, Zacarías, Joel e Ezequiel.

Os três mais velhos viveram mais tempo com o pai e compartilham mais lembranças que os menores, ou seja, mais insultos, mais surras, mais carícias em lugares inapropriados.

No meio da noite, Carlos Martínez colocava seus filhos no chuveiro e os deixava durante horas sob a água gelada. Ou abusava sexualmente de um enquanto os demais dormiam na mesma sala.

Estas são algumas lembranças de Sara, a única que se atreveu a denunciar seu pai quando tinha 12 anos, no final de 2010, depois de tê-lo visto abusar de Ana, sua irmã mais velha.

Carlos Martínez acabou na prisão com uma condenação de três anos, mas um ano depois foi libertado.

Embora a mãe das crianças tenha se negado a aceitá-lo de volta em casa, Sara lembra que seu pai se converteu em uma sombra à espreita: aparecia na porta do colégio quando era adolescente e na porta de seu trabalho quando era adulta.

Mas nem todos sabiam plenamente o que cada membro da família havia sofrido nas mãos daquele homem.

Em maio do ano passado, a mãe confessou a Moisés que estava aterrorizada porque seu pai a estava ameaçando. Como prova dos abusos, tirou a dentadura postiça para demonstrar-lhe que Martínez havia quebrado seus dentes a golpes.

Moisés foi imediatamente procurar suas irmãs para perguntar-lhes mais sobre o pai: Ana confirmou que ele a havia estuprado durante anos, enquanto Sara lhe disse que seu pai lhe dava um alfajor depois de cada encontro sexual forçado.

Nessa altura, os três já eram adultos: Ana tinha 31 anos, Moisés 28 e Sara 26.

Em meio ao choro, Sara lembra que seu irmão também lhe confessou abusos que ela desconhecia. Embora ela tenha pedido para que não o fizesse, Moisés decidiu falar com seu pai para exigir-lhe que pedisse perdão e os deixasse em paz.

Um dia depois de sua conversa com Sara, no domingo 25 de maio de 2025, Moisés matou seu pai com 14 disparos.

Ficou junto ao corpo durante dois dias, até que ligou para a polícia para reportar o homicídio e esperar a chegada dos policiais para assumir sua responsabilidade pelo crime.

Quase um ano mais tarde, na sexta-feira 10 de abril, a juíza María Noel Odriozola condenou Moisés Martínez Pereira a 12 anos de prisão, em uma audiência que os uruguaios acompanharam ao vivo através de uma transmissão no Youtube.

Ao anunciar sua decisão, Odriozola explicou que havia descartado conceder-lhe o perdão judicial que estipula o artigo 36 do Código Penal uruguaio quando um homicídio ocorre sob "intensa comoção provocada pelo sofrimento crônico produto de violência intrafamiliar".

Tendo em vista que ninguém denunciou Carlos Martínez durante 15 anos, a juíza argumentou que a família não recorreu a "nenhum mecanismo de proteção como solução primária", explica Rodrigo Rey, advogado de Moisés.

No entanto, Sara adverte que quando o fez sendo criança, foi revitimizada pelo perito que a entrevistou, seu pai cumpriu apenas um terço da breve condenação que recebeu e nunca houve proteção para ela nem sua família posteriormente.

A sentença gerou comoção e os protestos organizados pelos irmãos de Moisés desencadearam um debate público no Uruguai sobre a violência doméstica.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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