Quão poderosa é a OPEP e por que a saída dos Emirados Árabes Unidos é um duro golpe ao cartel que influencia no preço global do petróleo
O anúncio repentino da saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da OPEP é um fato de grande relevância. Os emirados eram membros desta organização inclusive antes de se converterem em um Estado-nação em 1971.
Embora a produção da OPEP esteja dominada pela Arábia Saudita, os EAU contavam com a segunda maior capacidade de produção excedentária. Em outras palavras, era o segundo membro com maior capacidade para aumentar a produção rapidamente e ajudar a moderar os preços.
De fato, foi precisamente isso o que levou a reconsiderações a longo prazo sobre a posição dos EAU. Em poucas palavras, os Emirados Árabes Unidos queriam aproveitar a considerável capacidade na qual haviam investido.
As cotas da OPEP limitavam sua produção a entre 3 e 3,5 milhões de barris diários. Os sacrifícios dos países membros, em termos de receitas perdidas, recaíam sobre os EAU de maneira desproporcional.
No entanto, o momento em que se produz esta medida aponta a consequências derivadas da guerra com o Irã. A tensa situação no golfo Pérsico afetou a relação dos EAU com este país e poderia afetar seu já tenso vínculo com a Arábia Saudita.
Quanto à OPEP, trata-se de um duro golpe em um momento em que se apresentam importantes interrogações sobre sua coerência a longo prazo.
Não se trata apenas de que os EAU, quando possam voltar a introduzir todo seu petróleo no mercado por mar ou por oleoduto, provavelmente mirem em uma produção de 5 milhões de barris diários. A Arábia Saudita poderia responder com uma guerra de preços do petróleo que a economia mais diversificada dos EAU poderia suportar, mas que outros membros mais pobres do grupo talvez não.
Altos funcionários emirados falam de novos oleodutos desde os campos petrolíferos de Abu Dabi, que evitariam o Estreito de Ormuz e se dirigiriam para o porto de Fujairah, atualmente subutilizado.
Já existe hoje em dia um oleoduto em pleno uso, mas se necessitará maior capacidade para fazer frente ao aumento da produção e a uma mudança permanente na fluidez e no custo do tráfico de petroleiros no Golfo.
Por ora, é claro, durante um duplo bloqueio do tráfico marítimo no Estreito de Ormuz, este não é o acontecimento principal nos mercados petrolíferos, que afeta os preços do petróleo, do gás, da gasolina, dos plásticos e dos alimentos.
Embora seja compreensível que o mundo esteja atento ao preço do petróleo a US$110 por barril, precisamente por isso não convém descartar que possa cair até cerca dos US$50 em algum momento do próximo ano.
Isso poderia ocorrer se o caos no Estreito de Ormuz se resolver a tempo, por exemplo, antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o final deste ano.
A OPEP foi criada em 1960 em Bagdá, Iraque, para defender os interesses de um grupo de países produtores de petróleo do poder e da influência das petroleiras estadounidenses e europeias.
A ideia de criar o grupo foi da Venezuela, o único dos cinco membros fundadores que não estava localizado no Golfo Pérsico.
Na atualidade, está conformada por 12 países: cinco do Oriente Médio, seis da África e um da América do Sul (Venezuela).
Estes membros controlam 38% do suprimento mundial de petróleo e contam com 79,5% das reservas comprovadas, segundo dados oficiais do organismo de 2022.
Por décadas, a OPEP teve uma enorme ingerência sobre o preço do cru.
Funciona como um cartel: uma aliança entre empresas ou países produtores de um mesmo bem que acordam coordenar sua produção.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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