Identificam um câncer transmissível entre peixes, o quarto documentado em animais
Confirmou-se que as manchas são causadas por um câncer transmissível do tipo melanoma.
Trata-se do primeiro câncer identificado em uma espécie de água doce e as células cancerosas se comportam mais como parasitas do que como tumores convencionais, transmitindo-se de um exemplar para outro.
O melanoma nestes bagres marrons representa o quarto tipo documentado de câncer transmissível em animais.
Os detalhes da investigação, que incluem dados do lago Memphremagog, foram publicados na quarta-feira na revista Nature e esclarecem como o câncer pode se propagar na natureza.
Por trás do trabalho há cientistas da Universidade de Vermont e de outros centros norte-americanos. Segundo os autores, em 2014, quase um em cada três peixes bagre marrom (Ameiurus nebulosus) apresentava as referidas lesões escuras.
Inicialmente, pensou-se que poderia ser um vírus, mas não se confirmava, explica em um comunicado Julie Dragon, de Vermont e codirectora do estudo. Dado que o bagre marrom é considerado um indicador da qualidade ambiental, os pesquisadores suspeitaram de um contaminante ou um patógeno relacionado com a contaminação.
Em contrapartida, as lesões resultaram ser melanoma, um câncer de pele, o que se mostrou "surpreendente", admite Dragon.
Por meio da sequenciação do genoma completo, a equipe comparou o DNA dos tumores e dos tecidos saudáveis dos peixes afetados.
Descobriu que as células cancerosas estavam muito mais estreitamente relacionadas entre si do que com seu peixe hospedeiro, o traço característico de um câncer transmissível clonalmente, no qual as próprias células tumorais atuam como agentes infecciosos.
Esta descoberta representa o quarto tipo de câncer transmissível identificado no reino animal —e o primeiro em qualquer espécie de peixe ou animal de água doce—. Os anteriores incluem a doença tumoral facial do diabo da Tasmânia (devastadora), um tumor venéreo transmissível em cães e doenças transmissíveis semelhantes à leucemia em ostras, mexilhões e outros moluscos bivalves.
A equipe de pesquisa trabalha agora para compreender como as células cancerosas se propagam entre os animais.
Parece que ocorre apenas em peixes de maior tamanho que se encontram em idade reprodutiva, detalha Mark Henderson, outro dos autores. "Talvez algum aspecto do comportamento reprodutivo provoque a propagação do câncer entre os animais".
Durante a desova, os bagres (ou peixe-gato) se agrupam densamente em águas pouco profundas, o que permite um contato físico que poderia transmitir células tumorais. Sendo peixes sem escamas que habitam o fundo, também interagem estreitamente com o sedimento, que poderia abrigar células cancerosas que flutuam livremente.
O estudo aponta que os contaminantes ou as mudanças hormonais poderiam debilitar o sistema imunitário, tornando os bagres marrons mais vulneráveis à infecção.
O lago Memphremagog abastece água potável para mais de 175.000 pessoas e os pesquisadores enfatizam que a doença não representa nenhum risco conhecido para os seres humanos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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