Governo propõe carreira sanitária como alternativa ante demanda de aumento salarial médico
Proposta governamental
Durante a greve nacional de médicos iniciada na segunda-feira, o Governo propõe a implementação da carreira sanitária como medida complementar às negociações. O ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, apontou que um aumento salarial direto da magnitude solicitada representaria uma despesa extraordinária de USD 100 milhões, recurso que atualmente não está disponível no orçamento estatal.
Lovera reuniu-se com membros da Comissão de Fazenda do Senado e propôs avançar na formalização da carreira sanitária com a universalização das 12 horas por vínculo que estabelece a legislação vigente. Sustentou que a atual conjuntura orçamentária impede compromissos de incremento salarial direto para o setor de Saúde Pública ou para outros sindicatos da função pública com demandas similares.
Contexto da demanda salarial
Os médicos em greve solicitam um aumento de G. 3.000.000 mensais por cada vínculo de 12 horas semanais, passando de G. 5.000.000 para G. 8.000.000. Para profissionais com dois vínculos, o salário passaria de G. 10 milhões para G. 16 milhões, enquanto que aqueles que possuem três vínculos veriam aumentar seus rendimentos de G. 15 milhões para G. 24 milhões mensais.
Segundo dados da ministra de Saúde, María Teresa Barán, o sistema conta atualmente com 12.226 médicos que registram mais de 24.000 vinculações: 34% possuem um vínculo, 32% têm dois e outros 34% registram três vínculos.
Alternativa: carreira sanitária
A ministra Barán apresentou a carreira sanitária como esquema complementar que permitiria diferenciar remunerações segundo formação, especialização e experiência profissional. Barán questionou que atualmente um médico recém-formado perceba o mesmo salário que um especialista altamente capacitado.
Esta proposta busca reconhecer a trajetória e especialização dos profissionais dentro de um marco de sustentabilidade orçamentária. Barán explicou que o setor Saúde conta com um orçamento anual próximo a USD 1.400 milhões, embora sua disponibilidade efetiva, de acordo com o plano de caixa, oscile entre USD 400 milhões e USD 500 milhões.
Efeitos potenciais
As autoridades alertaram que um aumento exclusivo para os médicos poderia gerar um efeito cascata entre os distintos grupos ocupacionais do sistema sanitário. Barán apontou que se incrementarem os salários unicamente do setor médico, outros trabalhadores da saúde poderiam apresentar reclamações similares.
Lovera reiterou que o reajuste solicitado pelos médicos representa um «ajuste generalizado» que impactaria de maneira significativa no orçamento geral do Estado. Além disso, sublinhou que a redução do poder aquisitivo dos salários afeta a múltiplos setores da função pública, não unicamente ao setor médico.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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