Estudo revela que autonomia e flexibilidade são essenciais para trabalhadores de plataformas
Uma investigação acadêmica liderada por Pastor Enmanuel Pérez-Estigarribia, doutor em Ciências da Computação e pesquisador da Universidade Nacional de Asunción (UNA), analisou as condições socioeconômicas de 537 prestadores independentes de serviços de mobilidade que utilizam plataformas digitais. O estudo constitui o primeiro trabalho acadêmico com dados primários sobre essa atividade no Paraguai e busca aportar evidência local ao debate sobre sua regulação.
O levantamento, realizado em Asunción, no Departamento Central e em Ciudad del Este, mostra que 51% dos entrevistados obtém mais da metade dos ingressos de sua família através da atividade, enquanto entre 78% e 100%, conforme os segmentos analisados, reporta uma melhoria na estabilidade financeira após se incorporar à plataforma. 73,3% sustenta economicamente duas ou mais pessoas e 30,9% tem quatro ou mais dependentes.
Pluriatividade e oportunidades educacionais
A atividade também aparece estreitamente vinculada com a pluriatividade. 66,5% trabalha em mais de uma plataforma e 51,2% combina essa atividade com um emprego tradicional. Entre os menores de 30 anos, metade aponta que ingressou buscando autonomia e controle sobre sua agenda. Além disso, 64% dos jovens combina a prestação com estudos ou uma fonte secundária de ingressos. Entre quem utiliza esses ingressos para financiar sua formação técnica ou universitária, 92% considera positivo o impacto econômico.
Autonomia como principal característica
A autonomia constitui um dos principais achados do estudo: 82,9% apresenta uma elevada afinidade com o modelo independente e 99% afirma ter controle sobre quando se conecta e quanto tempo dedica à atividade. O horário flexível, que representa 28,1% das menções como motivo para trabalhar mediante plataformas, é utilizado por 58,1% desse segmento para sustentar outras atividades, como estudos, empregos ou tarefas de cuidado.
Perspectivas de ingressos
Em matéria de ingressos, 60% de quem tem entre dois e cinco anos de antiguidade registra ingressos superiores ao salário mínimo legal vigente, enquanto metade de quem ultrapassa os cinco anos se localiza na faixa mais alta medida pelo estudo.
Considerações para a regulação
Diante desses resultados, a investigação propõe que qualquer marco regulatório deveria garantir direitos sociais sem eliminar a autonomia horária e a flexibilidade que caracterizam o modelo. O trabalho não toma posição sobre projetos legislativos específicos, mas incorpora evidência paraguaia a uma discussão que até agora se apoiava principalmente em estudos realizados em outros contextos.
Os autores alertam que os resultados devem ser interpretados considerando as limitações metodológicas: a amostra corresponde a uma única plataforma, o estudo é transversal e os ingressos foram reportados pelos próprios prestadores. O processamento dos dados foi realizado mediante um sistema auditável e reproduzível.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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