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Educação

Especialistas reclamam uma política educativa de Estado que transcenda governos

Resultados do PISA 2025 reacendem debate sobre continuidade e investimento na educação paraguaia

13/09/2026 11:00 3 min lectura 268 visualizações

Resultados do PISA 2025 colocam foco na educação paraguaia

Os resultados da avaliação internacional PISA 2025 geraram renovada preocupação sobre o estado da educação no Paraguai. O país registrou retrocessos significativos em leitura e ciências, enquanto em matemática praticamente se mantém estagnado, com uma minoria de estudantes alcançando as competências básicas requeridas.

A necessidade de continuidade em políticas educativas

Para os analistas Rodolfo Elías e Óscar Charotti, os desafios que enfrenta o sistema educativo transcendem qualquer administração específica. Ambos identificam como problema central a ausência de uma política educativa de Estado que garanta continuidade, estabeleça metas claras e conte com mecanismos efetivos para medir avanços.

Rodolfo Elías, diretor da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) – Paraguai, reconhece que os programas atualmente em marcha podem produzir resultados. Porém, aponta que não é suficiente esperar pela próxima avaliação para verificar sua efetividade. Segundo sua perspectiva, resulta fundamental que qualquer iniciativa se traduza em uma formulação clara de política com metas específicas.

Importância de avaliar processos, não apenas resultados

Elías enfatiza que a avaliação também deve se focar em observar os processos durante a implementação dessas políticas. Em sua opinião, monitorar os processos permitiria identificar a tempo o que funciona e o que requer correções.

O processo é o que leva a melhorar ou não
, resumiu o especialista, sublinhando que PISA deve servir como um sinal para revisar o caminho percorrido e não unicamente como uma fotografia do sistema educativo a cada três anos.

Oito anos sem tendência de melhoria sustentada

Óscar Charotti, diretor Executivo de Juntos pela Educação, concorda que o problema tem raízes profundas. O especialista adverte que o Paraguai leva anos sem conseguir uma melhoria sustentada, situação que descreve como crítica: oito anos transcorridos sem ao menos uma tendência de melhorias em educação.

Charotti dimensiona a gravidade do cenário atual apontando que nove em cada dez adolescentes de 15 anos não conseguem resolver problemas matemáticos elementares e três em cada quatro não compreendem adequadamente o que leem. Essas carências, explica, repercutirão sobre a produtividade econômica, a qualidade da cidadania e as oportunidades de mobilidade social do país nas próximas décadas.

Falta de planejamento de longo prazo e investimento insuficiente

Charotti vincula essa situação à falta de planejamento educativo de longo prazo. Questiona que o Paraguai não conte com um roteiro educativo estável, o que gera que cada gestão administrativa reinicie o ciclo sem rumo definido, sem metas estabelecidas nem marco sobre o qual prestar contas.

À ausência de continuidade se soma outro fator limitante: o baixo nível de investimento em educação. O Paraguai destina aproximadamente 3,4% de seu PIB a este setor, cifra inferior à de outros países da região. Segundo Charotti, sem um nível suficiente de investimento, nenhum plano pode reverter as tendências negativas identificadas nas avaliações internacionais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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