Bônus demográfico: Um ativo que se deprecia
Resultados educativos e desempenho acadêmico
O informe PISA 2025 quantifica e amplia o que avaliações anteriores indicavam: uma deterioração nos já reduzidos níveis de aprendizagem em ciências, leitura e matemática. Os dados colocam o país muito abaixo da média da OCDE e atrasado frente à maioria dos países da região, sendo apenas a Guatemala a que apresenta um desempenho menor. Os números revelam que a maioria dos estudantes não alcança as competências básicas em matemática, compreensão leitora e pensamento científico.
Impacto no pensamento crítico e empregabilidade
O sistema escolar está formando estudantes com restrições severas para o pensamento crítico, a continuidade de estudos e a empregabilidade. Esses jovens carecem de capacidades para processar dados, aplicar lógica ou compreender instruções técnicas, habilidades que constituem o piso mínimo para participar de uma economia globalizada.
Desafios da força de trabalho adulta
Limitar a análise da crise do capital humano exclusivamente à juventude escolarizada abrange apenas uma parte do problema. A força de trabalho adulta que já abandonou o sistema educativo formal foi formada em condições similares. A política educativa deve contar com instrumentos para esse grupo da população cujos empregos precisam ser de maior qualidade, considerando os altos níveis de informalidade e baixos ingresos.
Automatização e reconfiguração do mercado de trabalho
O baixo desempenho acadêmico se traduz em obsolescência laboral. A automatização, a robotização e a inteligência artificial estão reconfigurando o mercado de trabalho a uma velocidade sem precedentes.
O auge das plataformas digitais introduziu uma nova dinâmica no mercado de trabalho. Embora o trabalho em aplicativos de mobilidade ou entrega ofereça ingressos imediatos e flexibilidade, na realidade representa o início de uma trajetória laboral que se perpetua na informalidade e precariedade. Há mais de uma década, quando esse fenômeno ganhou força, era assumido como uma oportunidade. Porém, a evidência empírica atual demonstra que a economia de plataformas constitui um refúgio de baixa produtividade, caracterizado por instabilidade de ingressos, nula proteção social e impossibilidade de acumular capital humano a longo prazo.
Investimento estrangeiro e capacitação laboral
O Paraguai busca atrair investimento estrangeiro direto. Enquanto não contar com uma força de trabalho altamente capacitada, receberá apenas investimentos orientados à extração de recursos naturais ou energia barata, sem gerar empregos formais que contribuam à qualidade de vida e autonomia econômica.
Educação como investimento estratégico
A educação e a capacitação são investimentos que devem ser parte central da política econômica. O Paraguai continua investindo menos que todos os países da lista, o que explica os resultados adversos. Em matéria educativa não existem atalhos. O esforço fiscal que realizam os governos possui retornos positivos importantes na sustentabilidade do crescimento econômico, o sistema tributário e a segurança social. Por isso, os fundos públicos destinados à educação devem ser considerados um investimento e não uma despesa.
O fechamento da janela demográfica
Se o país não conseguir aumentar as capacidades educativas e laborais das pessoas adultas e transformar radicalmente o sistema educativo para a infância e juventude, o fechamento da janela demográfica chegará sem resolver problemas essenciais como a produtividade, a qualidade do emprego e o aumento dos ingressos laborais.
A transição para uma economia do conhecimento, resiliente e produtiva, é o único caminho viável para assegurar que o Paraguai alcance o desenvolvimento antes que o tempo se esgote.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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