Embaixador do Paraguai sobre os fechamentos de passagens para o Chile: "É uma situação muito preocupante para o comércio"
O prolongamento do fechamento dos principais pontos fronteiriços entre Argentina e Chile mantém em alerta o comércio paraguaio, especialmente pelo impacto que está gerando sobre os envios de carne bovina, arroz e outros produtos que têm o mercado chileno como um de seus principais destinos.
Antonio Rivas, embaixador do Paraguai no Chile, explicou à Valor Agro que a situação é particularmente complexa pela acumulação de neve na zona de cordilheira e pela quantidade de caminhões que permanecem detidos à espera de poder continuar viagem. "É muito preocupante porque, embora a cada ano costumava-se ter uma situação algo parecida, com congestionamentos de dois, três ou quatro dias, não como está acontecendo agora", apontou.
Conforme explicou o diplomata, as chuvas e nevadas registradas durante as últimas semanas geraram importantes dificuldades para o trânsito desde Argentina para o Chile. A maior concentração de veículos encontra-se atualmente em Mendoza, onde se estimam entre 1.800 e 2.000 caminhões à espera de poder cruzar.
Rivas indicou que existe expectativa de que o trânsito possa ser retomado nos próximos dias, embora tenha esclarecido que qualquer reabertura dependerá exclusivamente da evolução das condições climáticas. "Pensa-se que para segunda-feira pode ser que se abra o caminho. Pode ser, não há nenhuma certeza, porque depende muito da situação climática", afirmou.
O cenário gera especial preocupação para a cadeia carnífera devido a que o Chile se aproxima de suas Festas Pátrias de setembro, um dos momentos de maior consumo de carne do ano. O atraso na entrada de mercadoria coincide assim com um período em que os importadores começam a se preparar para uma forte demanda.
Além dos custos logísticos provocados pelos dias de espera, a situação representa uma dificuldade adicional para os produtos refrigerados, onde os tempos de trânsito são determinantes para manter a qualidade e a vida útil comercial.
Diante das complicações na Passagem Internacional Los Libertadores, alguns transportistas e exportadores começaram a avaliar alternativas como a Passagem de Jama, embora essas rotas impliquem maiores distâncias e também tenham sofrido fechamentos temporários pelas condições meteorológicas.
O embaixador sustentou que a representação paraguaia mantém contato permanente com autoridades aduaneiras e com o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile, embora tenha esclarecido que atualmente a principal dificuldade encontra-se do lado argentino. "Praticamente 95% dos caminhões estão no lado argentino. O objetivo principal agora é que se liberte esse lado", expressou.
Paralelamente, o Consulado Geral do Paraguai em Santiago encontra-se assistindo a uns 63 camioneros paraguaios que permanecem em território chileno e necessitam retornar para Argentina para posteriormente continuar viagem ao país.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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