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Internacional

Eleições em Israel, a única democracia do Oriente Médio

No dia 27 de outubro, Israel escolhe 120 parlamentares em processo eleitoral que vai muito além da votação

25/10/2026 02:15 3 min lectura 29 visualizações

Juan Carlos Dos Santos G.

O dia 27 de outubro Israel elege 120 parlamentares. Sem maiorias automáticas, a chave não é quem tira mais votos, mas quem consegue pactar 61 escaços.

No próximo terça-feira, 27 de outubro, a cidadania israelita se dirigirá às urnas para eleger a composição da 26.ª Knesset (o Parlamento nacional). Porém, diferentemente do que ocorre nos sistemas presidenciais ou nas democracias parlamentares, a jornada eleitoral em Israel não marcará o ponto final do processo político, mas a abertura de um rigoroso e incerto tabuleiro de negociação multipartidária.

Para compreender o desenvolvimento das eleições e a posterior arquitetura de poder em Jerusalém, é imprescindível desmontar o mecanismo de seu sistema eleitoral: uma combinação de representação proporcional pura, engenharia legal de prazos e a mediação constitucional do presidente da nação.

PROPORCIONALIDADE PURA E FRAGMENTAÇÃO PARLAMENTAR

O modelo eleitoral israelita se rege pela lei básica. Seu traço distintivo é o princípio de circunscrição única: todo o país se comporta como um único distrito eleitoral de 120 escaços.

  • A cidadania vota diretamente pela plataforma de um partido político e não por candidaturas individuais. As cadeiras parlamentares são atribuídas respeitando de maneira estrita a ordem predeterminada nas listas oficiais.
  • Para acessar o hemiciclo, uma força política deve superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos emitidos em âmbito nacional. As agrupações que não alcançam esse piso ficam fora da distribuição e seus sufrágios não geram representação.

Esta alta proporcionalidade promove um parlamento profundamente heterogêneo onde coexistem correntes seculares, ultranacionalistas, religiosas, de centro e da minoria árabe. Em toda a história institucional do Estado de Israel, nenhuma lista conseguiu obter os 61 escaços necessários para governar sozinha, tornando as coalizões uma necessidade matemática e inafastável.

O PAPEL DO PRESIDENTE

Apesar de o presidente de Israel exercer funções eminentemente cerimoniais e de representação do Estado, a lei reservou para sua figura uma responsabilidade determinante durante o processo pós-eleitoral: encarregar o mandato para a formação do Governo.

O chefe de Estado atua como um árbitro neutro que deve interpretar a vontade expressa nas urnas e identificar ao legislador que reúna as condições objetivas para articular uma maioria parlamentar estável.

A Knesset ou assembleia parlamentar é uma instituição que teve seus inícios em Jerusalém no século V a.C.

O PROCEDIMENTO LEGAL E A MARCHA DO CRONÔMETRO

Uma vez encerradas as mesas de votação no dia 27 de outubro, a legislação impõe um calendário imperioso com fases claramente delineadas.

  • A Conferência Eleitoral Central dispõe de um máximo de sete dias para computar os votos, resolver apelações e entregar a nômina de parlamentares eleitos ao presidente da nação.
  • Ao receber os resultados, o presidente inicia a rodada de consultas formais em sua residência oficial. Ali recebe as delegações de cada um dos partidos com representação parlamentar, em ordem descendente por quantidade de cadeiras. Cada agrupação lhe manifesta explicitamente a qual candidato recomenda para assumir a chefia do Executivo.
  • Avaliadas as recomendações, o presidente encarrega a tarefa a um membro da Knesset (o primeiro-ministro designado), quem conta com quatro semanas para confeccionar um acordo de coalizão.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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