Líderes indígenas da América Latina se reúnem em Assunção para fortalecer direitos
Encontro continental de líderes
Sob o lema "Ñandereko arandu, vivir desde la sabiduría", reuniram-se em Assunção líderes de povos originários da América Latina desenvolvendo uma importante agenda continental. O evento foi realizado no Centro Cultural do Porto entre 15 e 20 de outubro, convocando representantes do Paraguai, México, Guatemala, Panamá, Peru, Estados Unidos, El Salvador, Argentina e Colômbia.
Bernarda Pesoa, líder qom (toba) do Baixo Chaco, expressou sua satisfação com a resposta à convocatória, destacando a importância de fortalecer e dar protagonismo à liderança das mulheres indígenas. Entre suas principais demandas mencionou a necessidade de acesso a habitações dignas, serviços de saúde de qualidade e a erradicação da discriminação.
Lourdes Huanca, representante da Federação Nacional de Mulheres Camponesas, Artesãs, Indígenas, Nativas e Assalariadas do Peru (Fenmucarinap), enfatizou que o encontro busca visibilizar que não se trata de comunidades vulneráveis, mas de povos sendo desapropriados de sua cultura e territórios. Chamou as participantes a assumir papéis de autoridade com profissionalismo e qualidade humana na defesa dos direitos territoriais.
Defesa do ambiente e soberania alimentar
A declaração final da cúpula reafirma o compromisso com a defesa de sementes autóctonas e nativas, a soberania alimentar, a água e a agroecologia. Igualmente, reitera o objetivo de garantir direitos das mulheres indígenas e camponesas a viver livres de violência, continuando com a tessitura de unidade entre povos e identidades culturais.
O documento também enfatiza a importância de colocar no centro os conhecimentos e as diversas formas de autogoverno indígena, convidando outras organizações e povos a articular ações de resistência para proteger territórios e conhecimentos ancestrais.
Espaços de visibilização cultural
Durante a cúpula desenvolveu-se uma feira de artesanatos que funcionou como espaço para visibilizar e valorizar os conhecimentos ancestrais, a criatividade e o trabalho das artesãs indígenas. O evento permitiu compartilhar com o público objetos que expressam a identidade, memória e riqueza cultural dos povos originários.
Experiências e desafios em territórios
Hilaria Cruzabie, líder guarani da comunidade Santa Teresita, localizada perto de Mariscal Estigarribia em Boquerón, a mais de 500 quilômetros de Assunção, compartilhou suas reflexões sobre os relatos de companheiras da Colômbia e Guatemala, sinalizando que suas lutas territoriais enfrentam desafios significativos.
Hilaria narra a importância histórica dos povos indígenas, destacando como seu povo se desdobrou desde a planície chaquenha até as zonas andinas da Bolívia. Enfatiza o papel fundamental da espiritualidade indígena na resistência e a necessidade de fortalecer a prática dos ritos e conhecimentos ancestrais como elementos centrais da identidade cultural.
A reunião refletiu o compromisso das líderes por manter viva a memória coletiva, defender os territórios ancestrais e fortalecer a unidade dos povos originários frente aos desafios contemporâneos que enfrentam na região.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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