Dívida pública em maio cresceu USD 2.763,8 milhões frente a 2025
A dívida pública total do Paraguai registrou apenas um leve crescimento mensal durante maio. No entanto, ao avaliar o avanço interanual, ou seja, ao comparar estes primeiros cinco meses de 2026 com o mesmo período do ano passado, continua-se observando um aumento significativo, que já alcança os USD 2.763,8 milhões, equivalentes a um aumento de 14,5%.
Conforme os dados preliminares do Ministério da Economia e Finanças (MEF), coletados da planilha de Estatísticas da Dívida Pública, o endividamento em maio atingiu cerca de USD 21.790,8 milhões, o que representa 36,2% do produto interno bruto (PIB) e um incremento mensal de USD 9,6 milhões ao comparar com abril passado.
Quanto à sua composição, destaca-se que 87,5% pertence às entidades da Administração Central, com USD 19.088,4 milhões, situando-se em 31,7% do PIB.
Respecto à fonte de financiamento, observa-se que 83,8% das dívidas correspondem a compromissos com organismos externos ou internacionais, com um total de USD 18.263,0 milhões.
Em contrapartida, observa-se uma retração de USD 62,6 milhões em tal endividamento externo, mas implica uma queda similar à que já se registrava em maio de 2025.
Por fim, destaca-se também que 70% das obrigações públicas continuam situadas em moeda estadunidense, com USD 15.380,9 milhões, seguidas por dívidas em guaranis, com USD 5.944,1 milhões. Embora a dependência do dólar tenha diminuído, ainda implicaria uma ameaça para as contas fiscais do Paraguai, levando em conta as eventuais pressões cambiais que possam se registrar.
Alerta. Apesar de o Governo defender que ainda se mantém um nível "razoável" ou "manejável" de endividamento, persiste uma preocupação especialmente diante do crescimento sustentado no pagamento de juros, devido à margem fiscal que possa deixar no longo prazo. Nesse sentido, especialistas concordam que o nível ainda não é considerado precisamente um risco, mas advertem em levar em conta que a expansão poderia limitar os investimentos.
"Ao te endividares, somas mais juros, cada vez mais gastos, e outra vez tens que te endividar mais. É um ciclo não muito favorável ou ao menos não é sustentável no longo prazo porque esses juros vão tirar muito espaço dos investimentos genuínos", afirmou Martha Coronel, economista da Consultora Mentu.
Coronel destacou a necessidade de avaliar a capacidade de pagamento futura do país e apontar para gerar maiores receitas, mediante um incremento do PIB e da produtividade.
Também enfatizou que se deve trabalhar na melhoria da qualidade do gasto e inclusive na busca de uma reforma fiscal, através de um uso eficiente e inteligente dos recursos públicos, a criação de mais empregos e o incremento da formalização.
Igualmente, Humberto Colmán, economista-chefe em Desenvolvimento em Democracia, indicou que a dívida ainda pode ser considerada sustentável, mas advertiu sobre um espaço cada vez mais reduzido pelo incremento dos juros, que já representam cerca de 2% do PIB.
Apontou também que um dos problemas centrais é o aumento do gasto rígido, explicado pelos salários, transferências, as aposentadorias e os mesmos juros, o que gera uma menor margem fiscal para desenvolver investimentos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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