Brasil sentiu o fechamento da cota chinesa: exportações de carne caíram com força em julho
As exportações brasileiras de carne bovina registraram uma forte contração durante julho, principalmente pela queda dos embarques para a China após o esgotamento da cota disponível para 2026. O impacto do principal comprador da carne brasileira se refletiu de maneira direta no desempenho geral das vendas externas.
De acordo com informações publicadas por Faxcarne, sobre dados da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex), durante julho Brasil exportou 227.939 toneladas de carne vacuna, o menor volume mensal registrado nos últimos 14 meses, desde maio de 2025.
A redução foi significativa frente a junho, quando ainda se estavam processando os últimos grandes embarques com destino ao mercado chinês. Em comparação com o mês anterior, as exportações totais brasileiras diminuíram em mais de 50 mil toneladas.
O principal fator por trás da contração foi a China. Durante julho, Brasil embarcou para esse destino 82.713 toneladas de carne bovina, um volume que representa pouco mais da metade das mais de 150 mil toneladas mensais enviadas durante maio e junho.
Segundo Faxcarne, tratou-se além disso do menor volume mensal exportado para a China desde março de 2024, ou seja, nos últimos 28 meses.
A desaceleração ocorreu após Brasil completar a cota de 1,106 milhão de toneladas disponível para este ano, o que determinou o freio dos embarques para o gigante asiático e modificou substancialmente o ritmo exportador brasileiro.
A magnitude da mudança fica ainda mais clara ao comparar os níveis atuais com o encerramento de 2025. Durante os últimos quatro meses do ano passado, Brasil chegou a exportar para a China uma média próxima a 175 mil toneladas mensais.
Mais de 856 mil toneladas para a China em sete meses
Apesar do retrocesso de julho, a China continua concentrando um volume significativo das exportações brasileiras. Entre janeiro e julho de 2026 registraram-se embarques para esse mercado de 856.854 toneladas de carne vacuna.
A essa cifra deve adicionar-se, segundo o relatório, o volume despachado do Brasil durante as últimas semanas de 2025 mas que ingressou fisicamente no mercado chinês durante este ano.
A redução dos negócios com a China também teve consequências sobre o preço médio das exportações brasileiras. Em julho, o valor médio situou-se em US$ 6.351 por tonelada, com uma queda mensal de 2,9%.
O acumulado anual ainda mantém crescimento
Apesar do freio observado em julho, Brasil continua mostrando números positivos no acumulado do ano.
Durante os primeiros sete meses de 2026, o país exportou 1,72 milhões de toneladas de carne bovina, com um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O preço médio de exportação nesse período foi de US$ 6.114 por tonelada, um incremento interanual de 18%.
Os números de julho, entretanto, marcam um ponto de inflexão importante que seguramente impactará os próximos meses da atividade exportadora brasileira.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.