Déficit da Caixa Fiscal dos últimos 10 anos já supera USD 2.080 milhões
Após a reforma promulgada em março passado, o Sistema de Pensões e Jubilações do setor público continua representando uma importante preocupação para o Fisco, dado que seu déficit segue em expansão.
Ao fechamento do primeiro semestre, o saldo vermelho atingiu G. 1,3 bilhões ou aproximadamente USD 217 milhões (à cotação média atual de G. 6.080), e representa 57% de todo o déficit de 2025.
Enquanto isso, o resultado negativo nos últimos 10 anos já alcança aproximadamente G. 12,6 bilhões ou USD 2.084 milhões, e até duplica os USD 1.000 milhões de dívida que cobram as fornecedoras do Ministério da Saúde.
Essas obrigações atrasadas mantêm pressão sobre o Governo, porque dificultam o cumprimento da meta fiscal, principalmente levando em conta que o país enfrenta um cenário complicado, pressionado por uma menor arrecadação tributária.
Nesse sentido, desde 2016, o déficit acumulado da Caixa Fiscal supera levemente o limite máximo do país previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, isto é, representa 3,4% do produto interno bruto (PIB), estimado atualmente em USD 60.238 milhões.
De começar com G. 429.060 milhões (USD 70 milhões) no período 2016, o resultado negativo do sistema previdenciário passou a G. 1,1 bilhão (USD 186 milhões), caindo levemente a G. 880.734 milhões (USD 144 milhões) em 2022.
Entretanto, voltou a disparar entre 2024 e 2025. Neste último ano, situou-se em G. 2,5 bilhões, equivalentes a USD 380 milhões, segundo a cotação de 2025. Tomando como base a cotação média atual, o resultado até supera USD 420 milhões.
Embora vários especialistas consultados tenham concordado que ainda é recente para avaliar o impacto da reforma, alguns concordam que não pode ser considerada uma reforma propriamente dita, mas sim "mudanças paramétricas". Qualificam de "insuficientes" as modificações, motivo pelo qual as perdas continuam crescendo e arriscam a sustentabilidade do sistema previdenciário público.
"Não é uma reforma, é uma mudança paramétrica parcial insuficiente. É adiar o problema um pouco mais adiante. Quanto à contribuição, não sei se existe uma contribuição real", expressa a respeito o engenheiro Pedro Ferreira.
Além disso, manifesta preocupação ante a falta de transparência quanto ao manejo da Caixa, assim como pela nula progressão em direção à conformação de um órgão que avalie as medidas necessárias para uma reforma mais estrutural.
"O que me preocupa é que quando se aprovou o da Caixa Fiscal, disse-se que se ia montar uma comissão para estudar uma reforma de longo prazo, porque o que se apresentou era apenas um remendo. Acontece que, afinal, não vemos que tenha sido feito nada. Este Governo o que queria era apenas solucionar seu problema de caixa e já não apresenta nada", lamenta.
Para o economista Luis Rojas, o déficit histórico responde principalmente à falta de uma contribuição estatal. Embora recorde que com a reforma foi estabelecida uma contribuição de 10% do Estado, também a considera "insuficiente".
"Deveria ter sido maior, como estabelece uma das convenções internacionais da OIT. Tem que ser no mínimo igual à contribuição dos trabalhadores", aponta, e conclui que outro dos problemas centrais é o incremento dos aposentados frente à quantidade de contribuintes.
Após o início da incorporação de contratados do Poder Executivo ao Sistema de Pensões e Jubilações público, desde o Ministério da Economia afirmam que a partir deste ano se espera contar com mais recursos que permitirão conter parte do déficit.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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