Conselho Empresarial insta a ANDE a chegar a acordo tarifário com Atome
Após anulação de decretos para indústrias convergentes, setor privado pede 'patriotismo' da estatal de energia
Após a anulação dos decretos tarifários para as "indústrias convergentes" (hidrogênio verde, IA e criptomineração), a milionária instalação da Atome PLC no Paraguai ficou em suspenso. Diante do risco de perder o investimento, o Conselho Nacional Empresarial, que se reuniu na quarta-feira passada em Mburuvicha Róga, alertou que este tipo de decisões pode prejudicar a imagem do país perante os investidores. O setor convocou Félix Sosa, titular da ANDE, para pedir-lhe "patriotismo" na hora de encontrar uma saída que satisfaça os interesses dos investidores.
O encontro foi convocado pelo ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, com o objetivo de abordar a agenda econômica geral. Porém, o debate se concentrou no impacto negativo do retrocesso normativo. Para destravar o conflito, convocou-se Félix Sosa, titular da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), a quem pediram atuar com "patriotismo" para encontrar uma saída técnica e comercial que respeite os interesses dos investidores. A Atome PLC insiste em manter uma tarifa de energia fixa de 30 USD/MWh por um prazo de 15 anos.
Enrique Duarte, presidente da União Industrial Paraguaia (UIP) e da Federação da Produção, da Indústria e do Comércio (Feprinco), confirmou que o projeto de hidrogênio verde foi o centro da discussão. "Analisamos o tema porque compreendemos que o Governo busca consensos, mas isto tem consequências. O que aconteceu ontem não beneficia a ninguém; aqui não há vencedores nem vencidos, todos perdemos. Devemos defender o investimento porque o país tem tudo para crescer", advertiu Duarte, expressando a alta expectativa do setor de que a ANDE chegue a um acordo definitivo.
Na mesma linha, Liz Crámer, presidenta da Associação de Bancos do Paraguai (Asoban), reconheceu que a revogação responde a critérios técnicos e operacionais da estatal de eletricidade, mas instou a instituição a buscar alternativas criativas. "A ANDE deve encontrar a fórmula para posicionar o país. Este tipo de indústrias âncora são as que o Paraguai precisa para dar o grande salto tecnológico e econômico. Os grandes capitais há que ganhá-los, e não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar este investimento", concluiu.
NEGOCIAÇÃO. A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) enfrentam o desafio de alcançar um acordo com a multinacional que permita garantir a execução de seu milionário projeto no país.
Félix Sosa explicou que a principal discrepância reside em que a Atome exige congelar o preço da energia durante 15 anos, o que não resultaria rentável para a ANDE.
O funcionário afirmou que se mantém um diálogo fluido e prolongado com a multinacional, no qual foram avaliadas alternativas, como a compensação mediante obras financiadas por Itaipú ou pela própria empresa. "Conversou-se muito com eles e continuamos conversando", ressaltou.
Neste contexto, Sosa anunciou que haverá novas reuniões para tentar chegar a um acordo. Contudo, ratificou que a postura da empresa estatal se mantém firme em que a tarifa deve estar sujeita a reajustes anuais baseados em indicadores técnicos.
"Com os USD 30, sem reajustes, os números não fechavam para a ANDE. Alguém teria que se encarregar dessa diferença. A decisão de revogar os decretos responde a uma decisão técnica", disse o funcionário perante a Câmara Paraguaia de Anunciantes (CAP).
No marco de uma reunião com os integrantes da Câmara Paraguaia de Anunciantes (CAP), o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Félix Sosa, detalhou os argumentos técnicos que levaram a instituição a opor-se firmemente à assinatura de um novo contrato com a multinacional Atome PLC.
A firma estrangeira, que promete investir USD 665 milhões, pretende que a empresa estatal lhe forneça energia a uma tarifa congelada de USD 30/MWh.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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