Cifarma avança com cessão de créditos enquanto Capaco busca outra alternativa
Esquema de cessão de créditos na indústria farmacêutica
O Governo avança em conversas com a Câmara da Indústria Química Farmacêutica do Paraguai (Cifarma) para implementar um esquema de cessão de créditos no valor de USD 300 milhões, com o objetivo de cancelar parte da dívida que mantém com as empresas fornecedoras de medicamentos e insumos do sistema público de saúde, passivo que ronda atualmente os USD 1.000 milhões.
A proposta consiste em que as empresas possam ceder seus direitos de cobrança a entidades financeiras, obtendo liquidez imediata sem ter que aguardar os prazos de pagamento do Estado. Posteriormente, o Governo cancelaria essas obrigações diretamente à entidade que adquiriu os créditos.
O secretário da Cifarma, Luis Ávila, apontou que a entidade de classe considera que essa ferramenta financeira representa uma alternativa viável para aliviar a situação das empresas do setor, que há vários anos enfrentam importantes atrasos nos pagamentos por parte do Estado.
Segundo Ávila, o mecanismo permitiria recuperar liquidez, cumprir com fornecedores internacionais e manter o abastecimento de medicamentos enquanto continua o processo de regularização da dívida pública.
Posição crítica do setor da construção
Não obstante, a proposta não conta com o respaldo de todos os setores. Da Câmara Paraguaia da Indústria da Construção (Capaco) sustentam que a cessão de créditos ou fatoragem não constitui uma solução adequada para as empresas construtoras, pois implica transferir-lhes o custo financeiro de uma obrigação que corresponde exclusivamente ao Estado.
O presidente da Capaco, José Luis Heisecke, explicou que, embora a cessão de créditos seja uma ferramenta financeira válida em determinados cenários, neste caso obriga as empresas a aceitar descontos sobre o valor das acreências para obter liquidez imediata, absorvendo perdas derivadas dos atrasos nos pagamentos estatais.
Proposta alternativa: cronograma de pagamentos
A entidade de classe construtora insiste em que a solução deve passar por um cronograma de pagamentos claro, transparente e sustentável, que contemple tanto a dívida principal quanto os juros gerados pela mora. Segundo Heisecke, contar com previsibilidade permitirá às empresas normalizar sua situação financeira, cumprir com fornecedores e trabalhadores, acessar novamente ao crédito e reativar os investimentos.
A dívida do Governo com as construtoras ronda os USD 350 milhões, incluindo o certificado de obras mais os juros acumulados.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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