Paraguai teria "vantagem brutal" no mercado elétrico regional
Ex-gerente da UTE uruguaia analisa como o país pode aprovechar melhor a integração regional
O ex-gerente geral da Administración Nacional de Usinas y Trasmisiones Eléctricas (UTE), Carlos Pombo, sustenta que o país pode aprovechar melhor a integração regional. Nesta entrevista explica como o Uruguai atraiu investimento privado mediante contratos de longo prazo, o papel dos medidores inteligentes para melhorar a eficiência e reduzir perdas, e por que, além de um regulador, é necessário contar com uma administradora do mercado onde participem o Estado e os atores privados.
–Qual é o esquema contratual de compra de energia que utilizou a UTE para atrair capital privado?
–O que se chama PPA (Power Purchase Agreement). São acordos de compra. Eu te asseguro que vou te comprar energia durante um período de 20 ou 25 anos. O que estou fazendo é te repagar o seu investimento. Suponhamos que um parque eólico custa USD 100 milhões. Eu sei, mais ou menos, quanta energia vai gerar porque isso já foi medido. Então digo: estou disposto a te pagar uma tarifa determinada por essa energia. Essa tarifa vai te repagar o investimento e te dar uma utilidade de não mais de 7% ou 8%. Dado que nós não podíamos investir, buscamos que investissem. Mas essa energia continua sendo nossa, continua sendo do sistema. A compra se faz mediante contratos firmes nos quais eu te digo: Te compro toda a energia. O que você faz com esse contrato? Não coloca os USD 100 milhões. Coloca uma parte, USD 10 ou 15 milhões, e vai a um organismo de financiamento. Esse organismo te diz: "Você tem um contrato, então eu te financio". Aí importa a seriedade do país, a seriedade da empresa e a possibilidade de conseguir financiamento. Ninguém vai vir para colocar USD 100 milhões para fazer um parque. O investidor aporta uma parte e o resto consegue financiado.
–O Uruguai implementou há uns 20 anos tarifas diferenciadas por horário. Qual foi o impacto real disso na eficiência do consumo e na redução dos picos de demanda?
–O Uruguai já tem 100% de medição inteligente. Os 1,67 milhões de clientes contam com medidores inteligentes. O que nos economizamos com isso? A leitura por parte de funcionários da empresa. Mas, além disso, há um aspecto fundamental: podemos tirar das horas pico aqueles consumos que são deslocáveis. Como empresa elétrica, você tem que dimensionar toda a infraestrutura para o momento de maior demanda. O resto do dia, boa parte desse equipamento fica ocioso. Então, para todos aqueles consumidores que podem deslocar parte do seu consumo, se gera um ganho-ganho. A empresa cobra menos, mas não porque esteja regalando energia, mas porque também vai investir menos. E o usuário paga menos porque consome em horários de menor demanda. O medidor inteligente permite medir o consumo de cada cliente, inclusive a cada 15 minutos. Mas há outro aspecto que poucas vezes se menciona. A medição inteligente gera milhões de dados que permitem planejar melhor os investimentos na rede. Você pode identificar as zonas onde o consumo cresce mais e orientar ali os investimentos para evitar cortes ou interrupções. Não é somente uma ferramenta para deslocar consumo. Eu moro em Washington. Se tomo o metrô, a passagem não custa o mesmo na hora pico que em outros horários. Por quê? Porque se eu tenho que cobrar uma passagem na hora pico para todo mundo, resulta que tenho que colocar uma cadeia enorme de vagões. A quem pode se deslocar oferece-se uma tarifa mais barata. Eles ganham porque pagam menos e a empresa também ganha porque precisa de menos investimento para atender o pico de consumo.
–Quais políticas ou tecnologias foram determinantes na UTE para combater as perdas não técnicas?
–Primeiro, com os medidores inteligentes você tem uma vantagem enorme. Se alguém manipula um medidor inteligente, diretamente você sabe que está mexendo nele. Há outra coisa em que a UTE não avançou, embora eu quisesse fazer isso porque vi na Europa. Suponhamos uma quadra ...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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