Comunidade indígena Qom Tooshe Qaltaq reclama solução territorial após quatro décadas de espera
Situação da comunidade indígena
A situação da comunidade indígena Qom Tooshe Qaltaq foi abordada novamente nesta terça-feira na Comissão de Povos Indígenas da Câmara de Deputados. No encontro participaram o titular da comissão, deputado Pastor Vera Bejarano; autoridades do Instituto Paraguaio do Indígena, encabçados por seu presidente Hugo Samaniego; e representantes da Coordenadora de Líderes Indígenas do Baixo Chaco.
A comunidade reside há aproximadamente 40 anos à margem da rota PY12, no quilômetro 122, em condições precárias e sem acesso seguro a terras próprias. Enquanto avançam as obras de asfaltamento na zona, as necessidades básicas das famílias indígenas permanecem sem uma resolução definitiva.
Demanda de acesso à terra
O líder de Tooshe Qaltaq, Eustaquio Ávalos, expressou que a comunidade solicita a compra imediata de terras, precisando que a aquisição deve efetuar-se no mesmo território onde atualmente se encontram assentados. Assinalou que, caso não obtenham uma solução, a comunidade implementará medidas que incluem o fechamento de rota.
Desde a Coordenadora de Líderes Indígenas do Baixo Chaco (CLIBCh), seu presidente Martín Rojas e o líder Gabriel Fernández enfatizaram que o acesso à terra constitui um direito fundamental que o Estado paraguaio tem a obrigação de garantir, para além de ser considerado como uma simples petição.
Perspectiva de organizações de apoio
A organização Tierraviva, que presta assistência técnica à CLIBCh, reafirmou que assegurar a posse de terras para a comunidade representa uma prioridade absoluta, ao considerá-la uma condição essencial para a vida, a dignidade, a saúde, a educação e a moradia das famílias.
Os representantes indígenas também questionaram que as obras viárias impulsionadas pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, avancem sem resolver previamente a situação territorial da comunidade indígena.
Dívida histórica do Estado
Para os líderes do Baixo Chaco, o caso de Tooshe Qaltaq representa uma dívida histórica do Estado com os povos indígenas. Após quatro décadas de espera, consideram que já não existe margem para novos adiamentos e reclamam às autoridades uma resposta urgente, concreta e respeitosa de seus direitos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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