Cartismo retoma iniciativa para mudar símbolos pátrios por versão stronista
Um total de 14 deputados do cartismo apresentaram o projeto que pretende modificar o design e uso do pavilhão nacional. A iniciativa já foi estudada no ano passado e teve a rejeição unânime do Senado. Leva a assinatura de um de seus principais impulsores, o deputado Yamil Esgaib.
A iniciativa propõe estabelecer, mediante uma norma com rango de lei, as características técnicas e heráldicas dos símbolos pátrios, com o objetivo de dotá-los de um marco jurídico permanente que garanta sua preservação e evite modificações mediante disposições administrativas.
Os projetistas sustentam que, embora os símbolos nacionais tenham sido definidos originalmente na legislação de 1842, diversos aspectos de sua representação gráfica foram regulados posteriormente por decretos, razão pela qual consideram necessário cumprir com o mandato constitucional de regulamentar essas características mediante uma lei.
Entre as disposições propostas encontram-se a definição oficial do design do pavilhão da República, dos escudos nacionais (anverso e reverso), do selo nacional e das cores pátrias, incorporando especificações "técnicas baseadas em princípios da ciência heráldica reconhecidos internacionalmente".
Igualmente, o projeto estabelece critérios para a fabricação e utilização dos símbolos nacionais, fixa normas para seu emprego em atos oficiais, determina a obrigação de hastear o pavilhão em instituições públicas e educativas, e dispõe o fortalecimento do ensino sobre a história, significado e simbologia dos emblemas nacionais dentro do sistema educativo.
A proposta também contempla um cronograma gradual para a substituição dos símbolos que não se adequem às novas especificações, atribui ao Ministério do Interior a função de autoridade de aplicação e prevê um regime de sanções para os casos de descumprimento.
Na exposição de motivos, os legisladores argumentam que a iniciativa não pretende modificar o conteúdo histórico dos símbolos pátrios, mas regulamentar os aspectos técnicos não previstos na legislação de 1842, conforme o mandato constitucional vigente.
Assinalam igualmente que as adequações respondem a critérios técnicos da heráldica e buscam fortalecer a identidade nacional, a preservação do patrimônio simbólico da República e a uniformidade no uso oficial dos emblemas pátrios.
São signatários do documento os deputados Virina Villanueva, Yamil Esgaib, Daniel Centurión, Jorge Barressi e José Rodríguez. Também Néstor Castellano, Jazmín Narváez, Arturo Urbieta, Johana Vega, David Jara, Liz Acosta, Saúl González, Carmen Giménez e Benjamín Cantero.
A primeira vez que se apresentou esse mesmo projeto de lei de modificação do escudo na bandeira paraguaia, em agosto de 2024, foi duramente criticada por setores da oposição que apontaram que simbolizava voltar a usar elementos "do stronismo".
Esse projeto foi finalmente descartado, mas agora volta a ser apresentado.
De acordo com o deputado Raúl Benítez, a intenção guarda em si mesma a regressão à época de Alfredo Stroessner. Significou que o simbolismo importa e por isso é repreensível que sob o argumento de revalorizar a identidade pátria busquem colocar no anverso da bandeira uma "orla de cor vermelha", entre outros.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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