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Saúde

A prevalência de demência aumenta na América Latina enquanto se estabiliza em países desenvolvidos

13/07/2026 23:45 3 min lectura 22 visualizações

Descobertas da pesquisa na América Latina

Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em São Luís e da Universidade de Newcastle no Reino Unido documentou mudanças significativas na prevalência de demência na América Latina. O estudo, que analisa dados de quase 17 mil adultos de 65 anos ou mais em Cuba, República Dominicana, México, Peru e Porto Rico, foi publicado na revista Jama Neurology.

Os dados foram coletados em dois períodos: no início da década de 2000 e novamente cerca de 20 anos depois, permitindo aos pesquisadores identificar tendências de longo prazo na região.

Aumento em três países latino-americanos

Durante o período estudado, a prevalência de demência no México, Peru e Porto Rico aumentou consideravelmente, passando de aproximadamente um em cada 10 adultos idosos para quase um em cada seis. Em contraste, as taxas de demência permaneceram estáveis em Cuba e República Dominicana.

Ao examinar cada local individualmente, os pesquisadores constataram que a prevalência de demência aumentou no México (de 9,6% para 14,5%), Peru (de 7,6% para 11,7%) e Porto Rico (de 10,7% para 15,7%). A prevalência geral de demência nos cinco locais aumentou de 10,6% para 16,9% em duas décadas.

Fatores de risco identificados

A pesquisa associa essa tendência ao aumento da obesidade e à falta de controle sobre doenças metabólicas e cardiovasculares na região. Os autores sugeriram que a estabilidade observada em Cuba e República Dominicana poderia ser devida ao fato de essas populações não terem experimentado o mesmo aumento rápido da obesidade, sedentarismo e doenças metabólicas não controladas que caracterizaram outras partes da região nas últimas duas décadas.

Essa observação oferece uma perspectiva positiva, pois sugere que a prevenção é possível por meio de melhores hábitos de vida.

Contraste com países desenvolvidos

Em alguns países de altas rendas, incluindo os Estados Unidos, a prevalência de demência manteve-se estável ou até diminuiu nas últimas décadas. Esse progresso provavelmente se deve a melhorias no acesso à educação e estilos de vida mais saudáveis, resultando em melhor controle da pressão arterial e melhor saúde cardíaca e metabólica.

Metodologia do estudo

Para abordar a escassez de evidências sobre as tendências de demência na América Latina, os pesquisadores utilizaram dados do Grupo de Pesquisa sobre Demência 10/66, uma iniciativa multinacional criada no início da década de 2000 para coletar dados populacionais sobre demência em países de rendas baixas e médias.

A metodologia incluiu visitas domiciliares, nas quais entrevistadores entrevistaram todos os adultos maiores de 65 anos que consentiram. Essa abordagem permite aos pesquisadores chegar a pessoas que talvez nunca procurem uma clínica ou especialista e que, portanto, costumam ser excluídas dos dados coletados em hospitais ou consultórios médicos.

O diagnóstico foi baseado em uma combinação validada de testes cognitivos, uma entrevista clínica e uma entrevista com uma pessoa próxima ao participante, desenvolvida para identificar a demência de forma equitativa em diferentes culturas e níveis educacionais.

O levantamento foi realizado entre 2003 e 2006 e novamente entre 2016 e 2020, permitindo registrar as tendências de longo prazo na prevalência de demência na região.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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